Amazônia Azul: Um Tesouro Estratégico para o Brasil
A vastidão da “Amazônia Azul”, termo que designa a área marítima brasileira, foi central nas discussões do 2º Fórum Náutico Internacional da ANB. Especialistas reunidos em Salvador defenderam a necessidade urgente de o Brasil resgatar e fortalecer sua vocação marítima, um aspecto que, segundo eles, foi negligenciado à medida que o país passou a se enxergar predominantemente como continental. A missão de honrar este potencial recai agora sobre Salvador, a primeira capital do Brasil, que busca se consolidar como a capital da Amazônia Azul.
Economia do Mar: Potencial Inexplorado e Geração de Empregos
O economista Eduardo Athayde, do Worldwatch Institute, destacou o imenso potencial econômico do setor marítimo. Ele ressaltou que a economia do mar inicia nos municípios e que Salvador, com sua extensa orla e a Baía de Todos os Santos, possui características ideais para liderar esse desenvolvimento. Atualmente, o setor já emprega cerca de 21 milhões de brasileiros, entre formais e informais, e movimenta mais de R$ 530 bilhões em salários anualmente. Athayde enfatizou a necessidade de mudar a percepção popular, que ainda associa o mar apenas ao lazer, e transformá-lo em um motor econômico robusto.
Defesa e Soberania: O Exemplo dos Estados Unidos e Avanços Navais Brasileiros
A defesa da soberania nacional foi outro ponto crucial abordado. O Vice-Almirante Carlos Henrique Zampieri, comandante do 2º Distrito Naval, citou os Estados Unidos como um modelo a ser seguido, onde a construção, registro e tripulação de embarcações são predominantemente nacionais, caracterizando a verdadeira soberania. Zampieri apontou que, enquanto nos EUA diversas agências cuidam de funções relacionadas ao poder naval, no Brasil a Marinha concentra essas responsabilidades, incluindo a proteção, segurança marítima e orientação da marinha mercante. Ele também celebrou os avanços recentes, como o lançamento de navios-patrulha e as Fragatas classe Tamandaré, com duas já em operação e outras duas previstas até 2028, demonstrando o ímpeto do país em fortalecer sua frota.
Desafios Futuros: Automação e Novas Fronteiras Navais
Olhando para o futuro, o Vice-Almirante Zampieri alertou para os novos desafios que a Marinha Brasileira precisará enfrentar. A preparação para combates com drones autônomos, uma realidade global, e a aquisição de navios mercantes autônomos são prioridades que demandam investimento e planejamento. A busca por novas tecnologias e a adaptação a um cenário bélico e logístico em constante evolução são essenciais para manter a capacidade de defesa e a soberania do país no cenário internacional.