Tesouro líquido preservado nas profundezas
Um naufrágio ocorrido há mais de 160 anos no Mar Báltico revelou um tesouro inesperado: dezenas de garrafas de champanhe perfeitamente preservadas. As condições únicas da região, ao sul da ilha sueca de Öland, com baixa salinidade e temperaturas frias, a 58 metros de profundidade, foram cruciais para manter a embarcação e sua carga intactas.
A equipe da Baltictech, grupo dedicado à exploração de naufrágios, realizou novas documentações e mapeamentos tridimensionais do navio. Com autorização das autoridades suecas, algumas garrafas de champanhe foram retiradas para análises laboratoriais detalhadas.
Um brinde ao passado com sabor surpreendente
A análise das garrafas foi feita em parceria com a vinícola francesa Maison Louis Roederer, responsável pela produção da bebida, confirmada pelas inscrições nas rolhas. Peter Liem, especialista da marca e mergulhador técnico, participou da expedição e testemunhou a abertura de uma das garrafas.
Liem descreveu o champanhe como “patinado, autoritário e imensuravelmente complexo”, afirmando que a bebida não está apenas viva, mas “totalmente vibrante e deliciosa para beber”. Ele comparou os aromas a notas de shiitake, açafrão, kombu, couro de sela, caixa de charutos e café torrado, com uma “vitalidade fervorosa e intensidade perfurante como um grande amontillado”.
Desvendando a história por trás da bebida
Os resultados iniciais indicam que o champanhe foi produzido por volta de 1850. O líquido apresenta cerca de 12% de teor alcoólico e aproximadamente 110 gramas de açúcar por litro, uma preservação notável graças às condições do fundo do mar.
Pesquisadores acreditam que a carga do navio, que também incluía recipientes de água mineral Selters, porcelanas e couro, era destinada à corte do czar Alexandre II da Rússia. Um prato de cerâmica da empresa britânica Davenport, datado de 1856, sugere que a embarcação iniciou sua viagem entre o fim de 1856 e o início de 1857, possivelmente integrando uma missão diplomática após a Guerra da Crimeia.
Próximos passos na exploração
A equipe planeja continuar a exploração do navio, com o objetivo principal de localizar o sino da embarcação, que pode ajudar na identificação definitiva do barco. A descoberta reforça o potencial do fundo do mar como um arquivo histórico de grande valor.
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