Setor Náutico Catarinense em Expansão Enfrenta Crise de Mão de Obra Qualificada: O Futuro da Indústria e do Turismo em Risco

Crescimento Acelerado e Demanda por Especialistas

Santa Catarina, um polo náutico em ascensão, vivencia um paradoxo: enquanto o setor cresce impulsionado por investimentos e novas embarcações, a falta de profissionais qualificados se torna um gargalo para seu desenvolvimento. O VI Fórum de Capacitação Técnica da Acatmar (Associação Náutica Catarinense para o Brasil), realizado em Florianópolis, reuniu especialistas para debater essa realidade.

Leandro “Mané” Ferrari, presidente da Acatmar, ressaltou a importância da qualificação para sustentar o avanço da atividade náutica. “A escassez de mão de obra atinge diferentes segmentos, desde a indústria até o turismo náutico. Capacitar sempre foi um dos grandes lemas da Acatmar”, afirmou Ferrari, relembrando o propósito do Fórum desde sua criação em 2014.

Novos Empreendimentos e a Necessidade de Profissionais

Um exemplo claro dessa demanda é o Parque Marina Beira-Mar Norte, em Florianópolis. Segundo Juliano Richter Pires, secretário municipal de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação, o empreendimento deve movimentar cerca de 600 embarcações, gerando uma necessidade expressiva por serviços especializados.

Iniciativas de Formação Profissional em Destaque

O Fórum também evidenciou projetos promissores, como a Marina Escola do IFSC, uma parceria com a Acatmar desde 2025. O objetivo é criar em Florianópolis uma estrutura pioneira na América Latina para formação profissional e desenvolvimento da economia do mar. Vinícius de Luca, diretor-geral do IFSC Câmpus Florianópolis-Continente, explicou que a Marina Escola será instalada em uma área de quase 300 metros de orla junto à instituição.

Estaleiros Buscam Talentos em Meio ao Avanço Tecnológico

A indústria náutica, representada por empresas como o Grupo Okean, também sente o impacto da falta de mão de obra qualificada. Amanda Remor, do marketing do Grupo Okean, destacou o crescimento dos estaleiros e o aumento do tamanho das embarcações produzidas. “Cada vez que avançamos para embarcações maiores, precisamos de mais tecnologia e de mão de obra especializada. A indústria náutica é extremamente artesanal e depende muito das pessoas”, explicou Remor, citando que o tamanho médio das embarcações produzidas pelo grupo em Itajaí saltou de 50 para 61 pés nos últimos anos.

Tecnologia Brasileira e a Busca por Sustentabilidade

O evento também abordou o desenvolvimento tecnológico do mercado náutico brasileiro. Januario Gagliardi, da JRG Trading, apresentou a palestra “Menos craca, menos carbono”, ressaltando que o Brasil já exporta tecnologia, design e serviços. “O mercado se profissionalizou muito nos últimos anos, mas ainda existem desafios. Compartilhar conhecimento é essencial, principalmente para estudantes e pessoas que nunca imaginaram que poderiam trabalhar nesse segmento”, concluiu Gagliardi.

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