Theodora Prado faz história: Brasileira se torna a 1ª mulher a completar a Cape2Rio sozinha

Theodora Prado faz história: Brasileira se torna a 1ª mulher a completar a Cape2Rio sozinha

Aos 27 anos, velejadora encarou 3.500 milhas náuticas do Atlântico Sul em um veleiro de 31 pés, superando tempestades e provando sua resiliência em uma jornada épica.

A velejadora brasileira Theodora Prado, de 27 anos, cruzou a linha de chegada da tradicional regata oceânica Cape to Rio na noite deste domingo (25), em uma conquista que a consagra como a primeira mulher a completar a desafiadora travessia do Atlântico Sul sozinha. Partindo de Cape Town, na África do Sul, em 27 de dezembro, Theodora navegou por 28 dias a bordo de seu veleiro Suidoos, de 31 pés, até alcançar o Rio de Janeiro.

Uma jornada solitária marcada por desafios e emoção

O veleiro de 1981 cruzou a linha de chegada sob uma forte tempestade, um cenário que testou os limites da velejadora nas últimas milhas. Apesar de já ter participado da Cape2Rio outras cinco vezes, esta foi a primeira vez que Theodora enfrentou as 3.500 milhas náuticas (aproximadamente 6.480 km) em completa solidão. “É uma realização indescritível”, declarou a velejadora em sua chegada, emocionada com a recepção calorosa de amigos e apoiadores.

Apesar da solidão no mar, Theodora ressaltou o apoio que sentiu: “Naveguei solo, mas com certeza não estava sozinha, muitas pessoas estavam sonhando comigo”. A reta final da regata foi particularmente difícil, com ondas de até quatro metros e ventos fortes, culminando na chegada de uma tempestade com raios pouco antes de cruzar a linha de chegada. “Essa semana foi uma verdadeira provação. Foram quatro dias de mar muito duro com quatro metros de onda, 40, 45 nós de vento constante”, detalhou.

Do mercado financeiro para a vela oceânica

A trajetória de Theodora Prado no mundo da vela é relativamente recente e surpreendente. Até 2022, aos 23 anos, ela atuava como analista no mercado financeiro. Uma temporada em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, durante a pandemia, despertou seu interesse pelo surfe e, posteriormente, pela vela, sob a orientação de Tio Spinelli. Um convite para cruzar o Atlântico até a África do Sul foi o ponto de virada, levando-a a abandonar a carreira tradicional e abraçar a vida no mar.

Reconhecimento e a importância da Cape2Rio

Vitor Medina, diretor da Cape to Rio, destacou a magnitude do feito de Theodora: “Primeira mulher a fazer essa regata solitária. A preparação para uma regata de 3.500 milhas é muito trabalhosa.” Ele também elogiou a determinação da velejadora em angariar fundos para seu barco e sua capacidade de se sustentar como skipper, levando barcos do Caribe para a Europa. “Ela é uma vitoriosa”, afirmou Medina.

A Cape2Rio, criada em 1971, é uma das regatas oceânicas mais tradicionais e desafiadoras do mundo, conectando a África do Sul ao Rio de Janeiro. Este ano, a regata contou com uma das maiores flotilhas brasileiras de sua história, com três barcos. Além do Suidoos de Theodora, participaram o Esperança e o Audaz 2. Os campeões gerais da edição serão premiados no Iate Clube do Rio de Janeiro.

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