O Perigo Invisível nos Oceanos
A poluição plástica nos oceanos é uma ameaça crescente e silenciosa para a vida marinha. Um estudo abrangente realizado nos Estados Unidos lançou luz sobre a quantidade exata de plástico que pode ser fatal para diferentes espécies marinhas, além de identificar os tipos de resíduos mais perigosos. A pesquisa, publicada na Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou 10.412 necrópsias de animais marinhos, examinando tanto as causas de morte quanto a presença de plástico em seus organismos.
Quantidades Letais Definidas por Espécie
A análise revelou dados alarmantes sobre a sensibilidade de cada grupo de animais ao plástico. Para aves marinhas, o consumo equivalente a apenas três cubos de açúcar já eleva o risco de morte para 90%. Tartarugas marinhas atingem o mesmo patamar de risco com a ingestão do volume de duas bolas de beisebol. Já os mamíferos marinhos, como baleias e golfinhos, correm risco de morte com a ingestão de uma quantidade de plástico equivalente a uma bola de futebol.
A Ingestão de Plástico é Comum
O estudo constatou que a ingestão de plástico é um fenômeno preocupante. Dos animais analisados, um em cada cinco havia consumido plástico. Mais especificamente, 47% das tartarugas marinhas, 35% das aves marinhas e 12% dos mamíferos marinhos apresentavam plástico em seus sistemas digestivos no momento da morte. Esses números destacam a ubiquidade do problema e a dificuldade dos animais em distinguir o plástico de seu alimento natural.
Tipos de Plástico: Um Perigo Variado
Além da quantidade, o tipo de plástico ingerido também representa riscos distintos. Aves marinhas são particularmente vulneráveis a borrachas e plásticos rígidos. Mamíferos marinhos enfrentam maiores perigos com plásticos flexíveis, como sacolas e equipamentos de pesca descartados. As tartarugas marinhas, por sua vez, são ameaçadas por todos os tipos de polímeros plásticos. Estima-se que cerca de 11 milhões de toneladas de plástico entrem nos oceanos anualmente, a maioria proveniente de itens de uso único.
Iniciativas Globais e Nacionais Contra a Poluição Plástica
Diante desse cenário, esforços globais e nacionais buscam combater a poluição marinha. No Brasil, a Estratégia Nacional do Oceano Sem Plástico (Enop) foi criada para o período de 2025 a 2030, visando coordenar políticas públicas para a prevenção, redução e eliminação do plástico nos oceanos, com foco em educação ambiental, limpeza e monitoramento. Iniciativas como o barco Interceptor Original, da Ocean Cleanup, coletam toneladas de lixo diariamente em rios poluidores, enquanto no Japão, cientistas desenvolveram um plástico 100% solúvel que desaparece no mar, oferecendo uma nova esperança para a redução desse impacto devastador na vida marinha.
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