Grande Faixa de Sargaço no Atlântico: Entenda o Fenômeno Surpreendente e Seus Impactos

O Que é a Grande Faixa de Sargaço?

A Grande Faixa de Sargaço, também conhecida como cinturão de sargaço do Atlântico, é uma vasta extensão de algas marinhas do gênero Sargassum que se localiza na parte central do Oceano Atlântico. Sua extensão impressionante abrange desde a costa oeste africana até o Golfo do México. Registrada pela primeira vez em 2011, essa mancha marrom tem chamado a atenção pela sua capacidade de crescimento acelerado, que surpreende até mesmo a comunidade científica.

As espécies predominantes são a Sargassum natans e a Sargassum fluitans. Embora o sargaço seja comum em regiões tropicais, o volume e a velocidade de crescimento da faixa atual no Atlântico são fenômenos atípicos.

Benefícios e Prejuízos do Sargaço

Em quantidades moderadas, o sargaço desempenha um papel ecológico importante, servindo como habitat para diversas espécies marinhas, como tartarugas e peixes. A NASA explica que, nesse contexto, a alga pode trazer mais benefícios do que uma alga comum, que se limita a liberar oxigênio pela fotossíntese.

No entanto, o excesso de sargaço acarreta uma série de problemas. A decomposição dessas algas, especialmente quando chegam às regiões litorâneas, pode impactar negativamente o turismo e a vida marinha. O acúmulo em praias e baías pode prejudicar ecossistemas locais e gerar odores desagradáveis.

Crescimento Desenfreado e Possíveis Causas

Estudos científicos de instituições como a Universidade do Sul da Flórida e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos têm investigado as causas do crescimento acelerado da faixa de sargaço. Uma hipótese inicial sugere que descargas do Rio Amazonas anteriores a 2011 possam ter contribuído para o início da formação da mancha.

Entretanto, outros fatores parecem impulsionar seu crescimento contínuo. Em 2018, a biomassa estimada era de 20 milhões de toneladas, quantidade suficiente para cobrir centenas de praias da Guiana Francesa à Flórida. Em 2022, esse número já havia subido para 22 milhões de toneladas, com tendência de aumento. Pesquisadores apontam que o aumento de nutrientes provenientes de fertilizantes agrícolas e as mudanças na temperatura dos oceanos podem ser fatores determinantes para essa proliferação.

Projeções e Estratégias de Prevenção

Boletins mensais do laboratório de oceanografia óptica da Universidade do Sul da Flórida indicam um padrão de crescimento da faixa de sargaço entre fevereiro e outubro, com uma leve dispersão de novembro a janeiro. No entanto, os dados mais recentes sugerem um crescimento contínuo, com projeções indicando que 2026 poderá registrar volumes 75% maiores que os recordes atuais.

Diante desse cenário, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos alerta para a necessidade de estratégias de prevenção. A instalação de redes ou barreiras flutuantes pode impedir que o sargaço chegue às costas, permitindo sua coleta antes da decomposição. O material recolhido tem potencial para ser reutilizado na fabricação de fertilizantes, bioplásticos e rações. Outra alternativa é o uso de barreiras de contenção para desviar as algas de volta ao mar aberto. Qualquer medida adotada deve estar em conformidade com as legislações locais.

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