Donzela-real: Peixe Agressivo do Indo-Pacífico Invade Litoral Paulista e Alerta Cientistas sobre Ameaça a Espécies Nativas

Alerta no Ecossistema Marinho

Uma espécie de peixe nativa do Indo-Pacífico, a milhares de quilômetros de distância, já está estabelecida e se reproduzindo no litoral paulista. A donzela-real (Neopomacentrus cyanomos), conhecida por sua agressividade territorial e por formar grandes cardumes, representa um novo desafio para o ecossistema marinho brasileiro. Embora descrita pela ciência desde 1865, sua presença em águas brasileiras só foi confirmada em 2023, um registro considerado recente pelos pesquisadores.

Presença Confirmada e Preocupações Iniciais

Cientistas já confirmaram a presença da donzela-real em importantes ilhas costeiras de São Paulo, como a Ilha da Queimada Grande, o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e a Estação Ecológica Tupinambás, no Arquipélago de Alcatrazes. O biólogo e mergulhador Eric Cormin explica que o comportamento territorial e agressivo do peixe o leva a defender ferozmente seu local de desova contra outras espécies. Essa disputa por território e recursos é a principal preocupação dos especialistas, que observam a formação de pequenos cardumes e avaliam os impactos iniciais no ecossistema.

Lições do Golfo do México e Potencial de Impacto

No Golfo do México, a donzela-real está presente desde 2013, formando cardumes de alta densidade. Estudos na região indicam que, embora tenha havido uma queda no número de espécies nativas, a causa mais provável é a degradação do habitat dos recifes, e não diretamente a invasão da donzela-real. Essa espécie, por ser resistente, consegue prosperar em ambientes degradados e em estruturas artificiais, enquanto peixes nativos sofrem. No entanto, o potencial de rápida colonização de novas áreas pela donzela-real serve como um alerta contínuo para os recifes brasileiros.

Origem da Invasão e Características da Espécie

A hipótese mais provável para a chegada da donzela-real ao Brasil é a água de lastro de navios, que transportam organismos de uma região para outra durante a navegação. A espécie, que mede cerca de 10 centímetros, possui coloração azul-escura a preta com uma mancha branca próxima à barbatana dorsal, e se alimenta de zooplâncton. Encontrada geralmente entre 5 e 30 metros de profundidade, sua capacidade de adaptação e reprodução em novas águas exige monitoramento constante para mitigar possíveis danos à biodiversidade marinha local.

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