Pistola de Ar Comprimido Inova no Combate ao Coral-Sol Invasor no Brasil: Nova Técnica Promete Revolucionar Manejo Marinho

Nova Técnica Promissora Contra Coral Invasor

O controle do coral-sol invasor (Tubastraea spp), uma espécie originária de outras regiões que se proliferou no litoral brasileiro desde os anos 1980, sempre representou um desafio. Agora, um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apresenta uma solução inovadora: o uso de pistolas de ar comprimido subaquáticas. A técnica demonstrou ser capaz de remover o tecido vivo do coral sem danificar sua estrutura calcária, impedindo sua regeneração e proliferação.

Desafios do Método Tradicional e a Solução com Ar Comprimido

Tradicionalmente, o combate ao coral-sol envolve a remoção manual com martelo e ponteira. Contudo, esse método resulta na fragmentação do coral, espalhando-os pela água e criando novos focos da espécie. Além disso, é um processo exaustivo, demorado e que exige a complexa retirada dos resíduos, muitas vezes de difícil acesso. A nova abordagem, publicada na revista científica Ecological Solutions and Evidence, propõe o uso de uma pistola de ar comprimido acoplada a um regulador de mergulho. Jatos de alta pressão são aplicados diretamente sobre as colônias, removendo o tecido mole e deixando o esqueleto calcário intacto. Sem o tecido vivo, o coral não sobrevive, e o esqueleto remanescente passa a ser colonizado por algas e outros organismos.

Eficácia e Baixo Risco de Propagação

Uma das principais preocupações com novas técnicas de controle é o risco de propagação. No entanto, testes em laboratório confirmaram que o tecido destacado do esqueleto do coral-sol, quando submetido ao jateamento com ar comprimido, perde sua capacidade regenerativa. Guilherme Pereira-Filho, coautor do estudo, explicou que o material disperso apresenta capacidade regenerativa insignificante, reduzindo drasticamente o risco de proliferação acidental, um problema recorrente nas técnicas atuais.

Menos Impacto Ambiental e Aplicações Ampliadas

Além de evitar a dispersão de fragmentos, o método do ar comprimido elimina a necessidade de recolher grandes volumes de material do fundo do mar. O esqueleto permanece no local e o que é removido não representa risco. Testes de campo realizados no Arquipélago de Alcatrazes (SP) mostraram que, após 180 dias, as colônias tratadas com a pistola de ar comprimido apresentaram redução significativa no número de pólipos e na área total, enquanto colônias não tratadas continuaram a crescer. A técnica também se mostra promissora para a limpeza de estruturas artificiais como cascos de embarcações, píeres, marinas e plataformas de petróleo, que frequentemente servem como vetores para a espécie invasora. A pesquisa aponta que essa solução é prática, de rápida aplicação e com menor impacto ambiental.

Próximos Passos e Potencial Revolucionário

Embora os testes tenham sido realizados em escala controlada, os pesquisadores já planejam expandir a técnica para áreas maiores de conservação e ilhas inteiras. Se os resultados se confirmarem em larga escala, a pistola de ar comprimido pode se tornar uma ferramenta estratégica na proteção dos ecossistemas marinhos brasileiros. Pereira-Filho destacou a importância de transformar conhecimento ecológico em soluções concretas e ressaltou que a ciência produzida nas universidades pode dialogar diretamente com desafios reais e urgentes. A expectativa é que essa inovação represente um avanço significativo no controle do coral-sol no Brasil.

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