Cardume Raro de Peixe Mero, Ameaçado de Extinção, é Encontrado Pela Primeira Vez em Alagoas

Primeiro Registro Histórico em Alagoas

Um avistamento inédito ocorreu em abril deste ano, quando pesquisadores registraram pela primeira vez em Alagoas um cardume de peixes mero. A espécie, classificada como criticamente ameaçada de extinção, foi encontrada em um grupo de aproximadamente 15 indivíduos adultos durante uma expedição científica. O registro, realizado a uma profundidade de 35 metros, capturou peixes de grande porte, com comprimento variando entre 1,6 e 2,3 metros.

Importância do Encontro para a Conservação

A descoberta é de grande relevância, especialmente considerando a escassez de registros dessa espécie no Nordeste do Brasil. Marcio Lima, supervisor de pesquisa do Projeto Meros do Brasil (PMB), destacou que avistamentos de cardumes de mero são mais comuns nas regiões Sul e Sudeste do país, como Santa Catarina e Paraná. “Geralmente observamos só um indivíduo nos recifes. Eles costumam se agregar para reprodução”, explicou Lima. A equipe do PMB e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) estudava a ocorrência da espécie no estado há seis anos, tornando este achado um marco significativo.

Vulnerabilidade e Ameaças à Espécie

Os momentos de alimentação e reprodução são cruciais e mais vulneráveis para o peixe mero. Durante essas fases, eles se tornam alvos fáceis para a pesca ilegal e outros impactos antrópicos. No local onde o cardume foi encontrado, os cientistas também observaram a presença de redes de pesca abandonadas e outros materiais relacionados à atividade pesqueira, evidenciando os riscos que a espécie enfrenta. A preocupação se intensifica pelo fato de a área não ser protegida por nenhuma unidade de conservação.

Conheça o Peixe Mero

O peixe mero (Epinephelus Itajara), também conhecido por nomes populares como bodete, canapú e badejão, pode atingir até 2,5 metros de comprimento e pesar mais de 400 kg. Apesar de seu tamanho imponente, são animais dóceis, mansos e curiosos, frequentemente se aproximando de mergulhadores. Essa característica, contudo, também o torna um alvo fácil para pescadores. Uma peculiaridade fascinante da espécie é seu hermafroditismo sequencial protândrico: nascem fêmeas e, após a primeira reprodução, por volta dos 6 a 8 anos, algumas se transformam em machos para garantir a continuidade da espécie. Atualmente, o mero está classificado como “Vulnerável” na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Como Ajudar na Conservação

Para contribuir com a conservação do peixe mero, a recomendação principal é não pescar, comprar ou consumir a espécie. A pesca e o transporte do mero são proibidos por lei. Caso encontre o animal, vivo ou morto, é fundamental registrar em imagem e informar ao Projeto Meros do Brasil ou à UFAL Penedo, através das redes sociais. A colaboração da população é essencial para a proteção deste gigante marinho.

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