A Coreografia Que Conquistou o Mundo
A Copa do Mundo de 2026 está sendo palco de uma festa inesquecível para a torcida norueguesa, que transformou a tradicional “remada viking” em um dos maiores fenômenos culturais do torneio. A coreografia, simples e contagiante, consiste em torcedores sentados lado a lado, simulando o movimento de remos com braços e cotovelos, acompanhados de um grito sincronizado de “Hu!”. Após a vitória da Noruega contra Senegal por 3 a 2, essa manifestação de apoio se uniu aos jogadores, criando uma cena espetacular que encantou espectadores ao redor do globo.
O que começou nas arquibancadas rapidamente extrapolou os limites do campo. A “remada viking” foi vista em diversos locais dos Estados Unidos, como em um terminal ferroviário em Boston, onde dezenas de noruegueses simularam a navegação em uma escada rolante em movimento, criando a ilusão de um barco viking cruzando a estação. A popularidade da celebração é tamanha que até mesmo a política norueguesa entrou no embalo, com o presidente do Parlamento, Masud Gharahkhani, interrompendo momentaneamente os trabalhos legislativos para participar da coreografia com os deputados, em apoio à seleção nacional.
O Retorno Triunfal dos “Vikings”
A empolgação dos torcedores é justificada pelo retorno da Noruega à Copa do Mundo após uma ausência de 28 anos. Com duas vitórias consecutivas em seus primeiros jogos contra Iraque e Senegal, a seleção norueguesa, apelidada de “vikings”, já garantiu sua vaga para a fase de mata-mata, prometendo ainda mais barulho e animação durante a competição.
Origens da Remada Viking: Uma Homenagem aos Navegadores Nórdicos
A celebração se inspira diretamente nos antigos navegadores nórdicos, conhecidos por suas embarcações robustas e exploratórias. O dracar (ou drakkar), um navio de guerra viking que remonta ao século IX, é o modelo que inspira o gesto. Esses barcos, projetados para enfrentar mares tempestuosos e explorar novas terras, predominavam nas águas do norte da Europa por mais de 1.500 anos. Com comprimento entre 14 a 23 metros e largura raramente superior a três metros, os dracares eram construídos com tábuas sobrepostas e equipados com uma única vela quadrada.
O que mais chama atenção nos dracares, além de seus característicos cascos com proas adornadas, muitas vezes em forma de cabeça de serpente, é a impressionante quantidade de remos. Os modelos podiam ostentar entre 32 a 36 pares de remos, sem contar o remo de leme lateral na popa. São exatamente esses remos que os torcedores noruegueses simulam impulsionar durante a Copa. Os tripulantes, sentados em seus equipamentos e bagagens, remavam de forma coordenada, enquanto o piloto, posicionado na popa, direcionava o leme. Essas embarcações, com seu baixo calado, eram capazes de navegar em águas profundas e rasas, transportando até 40 tripulantes, guerreiros, passageiros e mercadorias, e podiam atingir velocidades de até 12 nós (aproximadamente 22 km/h).
A Herança Marítima da Noruega em Destaque
Embora o dracar não fosse exclusivo dos vikings noruegueses, sendo utilizado também na Suécia e Dinamarca, ele se tornou um poderoso símbolo da Noruega, intrinsecamente ligado à sua herança viking escandinava. O país abriga até hoje importantes achados arqueológicos de navios dessa era, mantendo viva a rica tradição marítima associada aos navegadores da Era Viking. Os vikings, povos marítimos originários da Escandinávia, foram ativos do século VIII ao XI, conhecidos não apenas por suas incursões militares, mas também pela pesca, agricultura, comércio e exploração. Seus longos navios permitiam viagens e saques a grandes distâncias, alcançando locais como as Ilhas Britânicas, Islândia, Groenlândia e até mesmo a América do Norte. Apesar de terem seguido a religião nórdica antiga durante a maior parte de suas expedições, com o tempo adotaram o cristianismo e foram fundamentais na formação dos primeiros reinos medievais que deram origem aos atuais estados escandinavos.
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