Domínio Incontestável na Maior Regata da América Latina
O veleiro Crioula 52, sob o comando de Eduardo Plass, sagrou-se tetracampeão da classe ORC na 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela. A conquista veio com uma campanha impecável: nove regatas disputadas e nove vitórias, reafirmando o favoritismo da equipe na maior competição de vela oceânica da América Latina. Este feito, no entanto, não veio sem desafios.
Superando Adversidades: A Jornada do Crioula 52
A participação do Crioula 52 na Semana de Vela de Ilhabela começou com um atraso significativo, devido a compromissos de parte da tripulação na Europa. A equipe perdeu a tradicional regata Alcatrazes por Boreste e, durante a semana, enfrentou problemas logísticos, incluindo o mau funcionamento do bote de apoio e danos ao próprio veleiro provocados por uma forte tempestade. Apesar das adversidades, a tripulação demonstrou resiliência e foco.
“A logística é preparar dois barcos para competir: um na Europa, um aqui. Chegamos atrasados e depois fomos tendo alguns percalços durante a semana. Nosso bote de apoio deu problema, depois veio a tempestade e rompeu parte do barco. Mas a tripulação foi incansável em trabalhar, e a gente estava muito focado”, declarou Samuel Albrecht, tático do Crioula e velejador olímpico.
Uma Campanha Impecável Apesar do Desfalque Inicial
A ausência na regata de abertura colocou o Crioula em desvantagem inicial. No entanto, com o regulamento permitindo o descarte do pior resultado, a equipe precisava de um desempenho quase perfeito nas regatas subsequentes. Foi exatamente o que ocorreu. O veleiro não apenas recuperou o terreno perdido, mas dominou todas as provas em que participou.
“Acabamos perdendo a regata Alcatraz. Foi um campeonato maravilhoso, com boas regatas, nas mais variadas condições de vento. Velejamos com sul no canal, com leste lá fora, vento mais fraco, vento mais forte, e a gente desempenhou muito bem”, comentou Albrecht, ressaltando o foco da equipe em conquistar o tetracampeonato.
O Desafio de Competir Contra Si Mesmo e o Potencial da Classe ORC
O sucesso do Crioula 52, um TP52 de elite, destaca o alto nível técnico da embarcação e a experiência de sua tripulação. Apesar do domínio, Samuel Albrecht aponta para o bom momento da classe ORC no Brasil, com disputas acirradas entre diversos barcos de tamanhos variados, que competem sob um sistema de handicap.
“A gente veleja muito sozinho na água, então não tem um adversário direto. A gente compete contra nós mesmos. Temos que andar nos números do barco, fino, com velocidade, sempre tentando abrir dos barcos menores pela questão do rating”, explicou Albrecht sobre a estratégia da equipe, que busca otimizar a performance para superar as correções de tempo do sistema ORC.
O Legado do TP52 e a Continuidade do Sucesso
A classe TP52, com anos de evolução em seus projetos, atingiu um patamar de refinamento técnico difícil de superar. O Crioula, um modelo de 2015, reflete essa evolução. A equipe mantém um calendário intenso, alternando entre competições na Europa e no Brasil, o que consolida seu alto nível competitivo.
A 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela, realizada de 24 de julho a 1º de agosto, reuniu mais de 125 veleiros e marcou um crescimento expressivo da competição, com recorde de participação estrangeira. Para o Crioula 52, a vitória confirma que, mesmo diante de obstáculos, o cinturão da ORC permanece em suas mãos, com a promessa de continuar a escrever sua história de sucesso no cenário da vela oceânica.
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