Veleiro da Marinha Indiana ‘Costurado’ à Mão Revive Técnicas Milenares em Viagem Simbólica

Um Resgate do Artesanato Marítimo Indiano

O horizonte brasileiro ganhou um novo brilho com a aparição do INSV Kaundinya, veleiro da Marinha Indiana. Lançado em 2025, esta embarcação é uma ode viva à engenhosidade e tradição da Índia antiga, incorporando técnicas de construção que remontam ao século V. O Kaundinya não é apenas um barco; é um portal para o passado, demonstrando a maestria do artesanato marítimo indiano através dos tempos.

Construção Ancestral e Navegação Pura

A singularidade do Kaundinya reside em seu método de construção. Realizado inteiramente à mão por artesãos experientes em Kerala, o veleiro foi erguido utilizando a técnica tradicional de “costura”. Nesse processo, tábuas de madeira são habilmente unidas por cordas feitas de fibra de coco, com as emendas seladas por resinas e óleos naturais. Sem o auxílio de motores ou qualquer tecnologia de propulsão moderna, o Kaundinya depende exclusivamente da força dos ventos e de suas velas para navegar, oferecendo uma experiência náutica autêntica e pura.

Símbolos de Herança e um Projeto Colaborativo

Ao serem içadas, as velas do Kaundinya revelam uma rica tapeçaria de símbolos que celebram a herança indiana. Destaque para o Gandabherunda, a icônica águia de duas cabeças que simboliza a dinastia Kadamba. Este projeto ambicioso, iniciado em 2023, é fruto de uma colaboração notável entre a Marinha Indiana, o Ministério da Cultura da Índia e a Hodi Innovations. Embora incorporado à marinha em fevereiro de 2025, o veleiro, com capacidade para 15 tripulantes, não é empregado em missões militares, mas sim como um embaixador cultural e histórico.

Jornada Inaugural: Um Elo com o Passado

A viagem inaugural do Kaundinya, que partiu de Gujarat, na Índia, com destino a Muscat, em Omã, no último dia 29 de dezembro, carrega um profundo significado simbólico. Esta rota ecoa as antigas rotas marítimas que historicamente conectavam a costa oeste da Índia ao Oriente Médio. A construção do veleiro foi um desafio à parte, exigindo pesquisa aprofundada e complexos estudos hidrodinâmicos, dada a escassez de plantas originais. Atualmente, o Kaundinya segue sua jornada no Golfo de Omã, reforçando os laços históricos e culturais entre as nações através do mar.

Comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *