Recorde Quebrado: Tripulação Francesa Conquista Volta ao Mundo Mais Rápida em Veleiro “Voador”

Nova Era na Vela: Sodebo Ultim 3 Estabelece Recorde Inédito

Uma marca que parecia inatingível foi superada neste domingo (25), com a tripulação francesa liderada por Thomas Coville quebrando o recorde de volta ao mundo mais rápida em um veleiro. A façanha foi completada em 40 dias, 10 horas, 45 minutos e 50 segundos a bordo do Sodebo Ultim 3, um trimarã de 33 metros. Este tempo é quase 13 horas inferior ao recorde anterior, que pertencia ao também francês Francis Joyon desde janeiro de 2017.

O Troféu Júlio Verne, que premia a circunavegação mais rápida sem escalas e sem assistência externa, muda de mãos, mas permanece na França. A conquista representa o ápice de nove anos de tentativas e treze esforços, incluindo três da própria equipe Sodebo. Thomas Coville, que já esteve em equipes vencedoras anteriores, assume agora o protagonismo como capitão.

Tecnologia “Foiling” Revoluciona a Navegação

O Sodebo Ultim 3 não é um veleiro qualquer. Ele é o primeiro barco do tipo “foiling” a conquistar o Troféu Júlio Verne. Essa tecnologia, que utiliza “asas” em formato de L para fazer a embarcação planar sobre a água, permitiu ao trimarã atingir uma velocidade média impressionante de 29,17 nós (aproximadamente 54 km/h) — mais que o dobro da velocidade média registrada no recorde de 1993.

Construído com fibra de carbono para máxima leveza e impulsionado por um design inovador com a cabine do piloto à frente do mastro, o Sodebo Ultim 3 simboliza a evolução da vela de alta performance. Diferente de embarcações anteriores que passavam por cima das ondas, este novo modelo “voa” sobre elas, otimizando a aerodinâmica e o equilíbrio.

Uma Jornada de Turbulências e Superações

Apesar da velocidade e da tecnologia de ponta, a viagem não foi isenta de desafios. A tripulação enfrentou condições meteorológicas adversas, realizou manobras complexas e chegou a se aproximar perigosamente de um iceberg no Oceano Ártico. Uma tempestade no Atlântico Sul, que custou um leme, forçou um desvio significativo até o Brasil antes de poder retomar a rota original.

Mesmo com esses percalços, a equipe Sodebo Ultim 3 conseguiu estabelecer novos recordes em trechos importantes, como Ushant-Equador e nos tempos de passagem pelos cabos da Boa Esperança, Leeuwin e Horn, demonstrando a resiliência e a perícia da tripulação.

A Nova Fronteira: O Desafio do Gitana 18

Apesar da celebração, o recorde pode não durar muito. O experiente velejador Charles Caudrelier já lançou o trimarã Gitana 18, uma embarcação que não só utiliza tecnologia foil, mas também possui um casco que mal toca a água. A ambição da equipe Gitana é clara: pulverizar o recorde do Sodebo durante o inverno boreal, visando tempos entre 38 e 39 dias, um feito que até pouco tempo atrás parecia pertencer ao reino da ficção científica.

O Troféu Júlio Verne, cujo nome é inspirado no romance de Júlio Verne “A volta ao mundo em 80 dias”, possui regras estritas: a volta deve ser feita em um barco exclusivamente à vela, com partida e chegada entre os faróis de Ouessant (França) e Cap Lizard (Inglaterra), e passando ao sul dos cabos da Boa Esperança, Leeuwin e Horn, na ordem correta.

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