Tesouro da Segunda Guerra: Navio brasileiro afundado por alemães em 1943 é encontrado intacto no litoral de SP

Um pedaço da história da Segunda Guerra Mundial emergiu das profundezas do litoral de São Paulo. O navio brasileiro Tutoya, afundado por um submarino alemão em julho de 1943, foi descoberto a apenas 21 metros de profundidade, entre as cidades de Peruíbe e Iguape. O achado, que ocorreu em dezembro de 2023, foi resultado de uma expedição dedicada a encontrar os destroços do cargueiro, que se tornou um memorial silencioso aos marinheiros que perderam suas vidas.

A descoberta não foi obra do acaso. Tatiana Mello, especialista em naufrágios, mobilizou um grupo de mergulhadores após conhecer a história do Tutoya. Com a colaboração do marinheiro Clayton Aloise, que coletou informações com pescadores locais, a equipe partiu em busca do navio. Após horas de busca infrutífera com o sonar, um relevo incomum no fundo do mar chamou a atenção, renovando as esperanças da expedição.

Um ‘Museu Congelado’ no Fundo do Mar

Ao mergulharem, os pesquisadores confirmaram que as informações técnicas batiam com o que encontravam. “Quando a gente saiu da água pudemos compartilhar com eles: ‘Gente, tudo bateu’. As medidas bateram, a pesquisa bateu, a gente está mergulhando no Tutoya, é emocionante”, comemorou Tatiana Mello. O navio se encontra em notável estado de conservação, com boa parte de sua estrutura intacta desde o naufrágio, o que o torna um verdadeiro “museu congelado” da Segunda Guerra Mundial. A profundidade relativamente rasa permite que mais mergulhadores possam contemplar o local.

A História do Tutoya e a Batalha do Atlântico

Originalmente batizado de Mitcham na Inglaterra em 1913, o navio passou por outras designações antes de se tornar o Tutoya em 1929. Com 67,2 metros de comprimento, ele era um cargueiro de aço que transportava produtos para consumo interno no Brasil, como carne salgada, café e madeira. Em 1º de julho de 1943, o Brasil já estava em guerra contra as potências do Eixo, e a costa brasileira era palco de intensos ataques de submarinos alemães (U-boats), que buscavam cortar as linhas de suprimento Aliadas. O Tutoya foi uma das 28 embarcações brasileiras afundadas naquele período.

Um Ataque Fatal e um Final Simbólico

Navegando próximo à costa e com as luzes apagadas para evitar bombardeios, o Tutoya recebeu uma ordem incomum para acender as luzes e desacelerar, acreditando ser um navio de patrulha. Essa manobra fatal permitiu que o submarino U-513 atingisse a embarcação com um torpedo, partindo-a ao meio. O capitão e outras cinco pessoas não sobreviveram. A descoberta dos destroços, após 82 anos, oferece um desfecho simbólico para as famílias dos militares mortos, honrando aqueles que arriscaram suas vidas para manter o abastecimento do país em um momento crítico da história.

Atualmente, o naufrágio do Tutoya é protegido por lei, e nada pode ser retirado do local. Restam apenas as duas partes do casco, um testemunho silencioso da coragem e do sacrifício dos marinheiros brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial.

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