Regata Buenos Aires-Rio: Clássico Argentino Aries III Representa o Brasil em Desafio de 1.200 Milhas Náuticas
Comandado por Marcos Soares, o Aries III, um barco de 1970, enfrenta a desafiadora travessia rumo ao Rio de Janeiro com uma tripulação eclética e o sonho de completar a prova.
A tradicional e emblemática regata Buenos Aires-Rio, uma das mais importantes da América Latina, teve seu início neste sábado (14). Este ano, as cores brasileiras serão defendidas por uma única embarcação, que, curiosamente, tem origem argentina: o Aries III. Construído em 1970, o veleiro clássico de German Frers, sob o comando de Marcos Soares Pereira, terá a missão de completar o desafiador percurso de 1.200 milhas náuticas (aproximadamente 2 mil km).
Um Sonho de Infância e a Persistência do Comandante
A regata, que conecta o Yacht Club Argentino ao Iate Clube do Rio de Janeiro, acontece a cada três anos desde 1947, chegando em 2026 à sua 28ª edição. Para o capitão Marcos Soares, esta não é uma estreia. Ele já participou da Buenos Aires-Rio em duas ocasiões anteriores, enfrentando as adversidades que tornam a prova tão respeitada.
“Muitas pessoas me perguntam por que correr uma Buenos Aires-Rio. É uma regata muito dura, normalmente com ventos contras, correntes contras, mar contra […] mas é a realização de um sonho de criança”, declarou Soares à NÁUTICA. Esse sonho, que nasceu na infância enquanto ele admirava barcos de regata internacionais, é o que agora impulsiona o Aries III em sua segunda tentativa de cruzar a linha de chegada no Rio de Janeiro.
Desafios Superados e a Alma de um Barco Clássico
As tentativas anteriores de Marcos Soares foram marcadas por imprevistos. Em 2019, a bordo do Viva, as velas rasgaram devido a ventos fortes, forçando um pouso em Rio Grande (RS). Já em 2023, com o Aries III, a quebra de um fuzil interrompeu a participação da equipe antes mesmo de chegar ao destino final, novamente levando-os a Rio Grande (RS).
O Aries III competirá na classe ORC. Originalmente batizado como Recruta 2 na Argentina, o barco, apesar de modificações, mantém suas linhas clássicas e um design que atrai olhares. “É como estar em um Cadillac. Tem que passar marcha, não é automático. Mas dá um prazer muito grande”, compara o capitão. Com 12 toneladas, o barco é mais pesado que embarcações modernas de mesmo porte, mas carrega a “alma” e a história de seus antigos comandantes. Há relatos de que sua construção foi finalizada dentro de um navio a caminho de uma prestigiada regata internacional.
Tripulação Eclética e a Meta de Concluir a Prova
A tripulação do Aries III é composta por cinco homens, um número considerado abaixo do padrão, mas que, segundo Marcos Soares – que acumula as funções de capitão e cozinheiro –, otimiza o conforto a bordo. Ao seu lado estão o português Miguel Pimentel dos Anjos, seu “parceiro sexagenário” vindo da Austrália; Vinícius Melo, um navegador iniciante vindo de esportes radicais; José Guilherme, de 30 anos, experiente e proprietário de outro barco clássico; e Breno Osthoff, o mais jovem da equipe, apelidado de Pavarotti, que atuará como proeiro.
A expectativa da equipe é conservadora: concluir a regata entre 10 e 12 dias de navegação. “Esperamos correr bem a regata. Na realidade, a intenção é completar mais do que qualquer outra coisa, sem ninguém machucado, sem barco quebrado”, ressaltou o comandante. A meta é chegar bem ao Rio de Janeiro, “fazendo o melhor que pudermos, sempre colocando o barco para andar na sua melhor condição”.
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