O Segredo Escondido na Praia da Cigana
Na pitoresca praia do Farol de Santa Marta, em Laguna, sul de Santa Catarina, jazem os restos de uma embarcação que se perdeu no tempo: o Vapor Catalão. Afundado há mais de 115 anos, em março de 1911, os destroços do navio ainda podem ser avistados por visitantes atentos, guardando consigo histórias de um passado distante.
A Tragédia do Vapor Catalão
A madrugada de 13 de março de 1911 foi marcada por um naufrágio que surpreendeu os moradores de Laguna. O Vapor Catalão, um paquete de 4 mil toneladas e 100 metros de comprimento, construído em 1889 na Inglaterra, encalhou ao sul do Farol de Santa Marta. A embarcação, que pertencia à Companhia Transatlântica Argentina e realizava sua primeira viagem sob bandeira brasileira, partiu de Buenos Aires com destino aos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Pará.
Causas e Sobreviventes
Segundo o documento oficial redigido pelo comandante Lúcio Duarte Valente, as condições climáticas adversas, com forte correnteza oceânica e cerração intensa, foram os principais fatores que levaram ao naufrágio. Apesar da potência do navio a vapor, a tripulação de 50 pessoas se perdeu em meio ao temporal. Felizmente, todos os tripulantes foram resgatados com vida e levados ao centro de Laguna, permanecendo na cidade por 17 dias antes de seguir para o Rio de Janeiro.
Carga Inusitada e Histórias Tristes
Além dos tripulantes, o Vapor Catalão transportava uma carga peculiar: 800 carneiros e 190 bois, incluindo animais de raça pura. A maioria dos animais foi salva e desembarcou em Laguna, enquanto outros não tiveram a mesma sorte. O navio também levava a bordo um corpo embalsamado da filha de um coronel, que estava sendo transportada para ser sepultada em sua terra natal. Relatos da época indicam que o caixão chegou à praia no local do sinistro, mas não há confirmação se seguiu viagem com o restante da tripulação. Três marinheiros foram deixados em Laguna sem receber seus salários e seguiram para o Rio de Janeiro em outra embarcação.
Um Legado para a Segurança Marítima
O naufrágio do Vapor Catalão serviu como um alerta para as autoridades da época. Em resposta ao isolamento do Farol de Santa Marta e à dificuldade de comunicação em casos de acidentes, solicitou-se ao Governo Federal a instalação de uma linha telefônica ligando o farol à estação telegráfica da cidade. A medida, implementada no mesmo ano, visava aprimorar a segurança marítima em uma região historicamente propensa a naufrágios.
Hoje, os destroços do Vapor Catalão permanecem como um testemunho silencioso de um evento que marcou a história de Laguna, um convite para mergulhar nas profundezas do tempo e nas histórias que o mar insiste em guardar.
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