Alerta Vermelho na Amazônia: Mexilhão-Dourado Ameaça Ecossistema
Uma nova e preocupante descoberta científica lança um alerta sobre a expansão do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) no Brasil. Pesquisadores identificaram grandes populações deste molusco invasor, originário do sudeste asiático, nas águas da Amazônia, com evidências de um ciclo reprodutivo já concluído no rio Tocantins. A espécie, que chegou à América do Sul no início dos anos 1990 através da água de lastro de navios, representa um perigo iminente para a biodiversidade e a economia da região.
Impactos Devastadores na Vida Aquática e Infraestrutura
O mexilhão-dourado é notório por seus severos impactos ambientais e socioeconômicos. Sua alta capacidade de filtração altera drasticemente a transparência da água, enquanto a liberação de pseudofezes modifica a qualidade do habitat aquático. Além disso, a espécie tem a capacidade de acumular metais pesados e toxinas, representando um risco para a cadeia alimentar. Para a economia, os prejuízos são significativos, com a obstrução de tubulações em hidrelétricas e sistemas de abastecimento de água, além de danos à piscicultura devido à competição por alimento e espaço com espécies nativas. A redução de animais bentônicos e os desequilíbrios na vida aquática são consequências diretas de sua proliferação.
Estudo Revela Adaptação e Reprodução na Amazônia
Uma pesquisa publicada na Acta Limnologica Brasiliensia, baseada em amostragens realizadas em outubro de 2024 na Pedral do Lourenço, no rio Tocantins, confirmou a plena adaptação do mexilhão-dourado à região. O estudo apontou uma densidade populacional alarmante de 11.940 espécimes por metro quadrado, um aumento expressivo em relação aos 88 indivíduos por metro quadrado registrados em 2023. A presença de indivíduos de diferentes tamanhos (entre 2 e 22 milímetros) sugere que a espécie já completou ao menos um ciclo reprodutivo local.
Projeções Alarmantes e Desafios de Erradicação
Rafael Anaisce das Chagas, autor principal do estudo e pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Norte (CEPNOR/ICMBio), expressou sua preocupação: “O registro do mexilhão-dourado na Amazônia é considerado relevante e alarmante devido aos severos impactos socioeconômicos e ambientais que a espécie ocasiona”. Modelos de dispersão indicam um alto risco de invasão da bacia amazônica a partir da década de 2030, com consolidação esperada por volta de 2050. Devido à ausência de predadores naturais em águas brasileiras, a erradicação do mexilhão-dourado é considerada praticamente impossível. O foco atual das estratégias de controle reside na gestão de impactos em sistemas de infraestrutura e na combinação de métodos para manter estruturas livres de incrustações.









