Um Desafio Inédito na Vela
O mundo da vela se volta para uma façanha extraordinária: o velejador francês Guirec Soudée embarcou em uma aventura para dar a volta ao mundo em solitário, mas com um diferencial que torna a missão ainda mais árdua – ele está navegando “ao contrário”. A proposta é seguir o caminho inverso da renomada Vendée Globe, uma das mais desafiadoras regatas de volta ao mundo em solitário e sem escalas. Na prática, isso significa enfrentar ventos e correntes contrárias, uma jornada que testa os limites da resistência e da perícia náutica.
Soudée iniciou esta jornada épica em 23 de dezembro de 2025, a bordo do potente trimarã Ultim MACSF. Navegando contra a maré, no sentido oeste-leste, ele se encontra em uma constante batalha contra os elementos. A rota planejada exige a navegação de impressionantes 40 mil milhas náuticas, um percurso significativamente mais longo que as tradicionais 25 mil milhas da Vendée Globe.
A Lógica da Rota Invertida
A aparente contradição de uma rota mais longa ao fazer o caminho inverso se explica pela dinâmica da navegação a vela. Impossibilitado de seguir em linha reta devido à direção do vento, Guirec Soudée precisa realizar manobras estratégicas. Para contornar cabos e atravessar oceanos, o velejador precisará manter um ângulo de 45° em relação ao vento, aumentando consideravelmente a distância percorrida.
Apesar dos desafios inerentes, o desempenho de Soudée tem sido notável. Após 63 dias de navegação, ele já ultrapassou o Cabo Leeuwin, na Austrália, e segue em direção ao Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. O progresso do velejador pode ser acompanhado em tempo real através do site oficial da expedição.
Em Busca de um Novo Recorde
O recorde atual de volta ao mundo à vela no sentido contrário pertence ao francês Jean Luc Van Den Heede, que completou a façanha em um monocasco em 122 dias e 14 horas, em 2004. Desde então, a marca permanece inalterada. Tentativas anteriores em multicascos, como as de Yves Le Blevevem (2017) e Romain Pilliard e Alex Pella (2021), não obtiveram sucesso.
Guirec Soudée demonstra confiança em superar este desafio: “Sinto-me pronto para quebrar este recorde”, afirma o velejador. Sua determinação é reforçada pela escolha do equipamento ideal.
O Barco: Uma Máquina de Recordes
O trimarã Ultim MACSF, anteriormente conhecido como Sodebo Ultim, tem um histórico impressionante. Sob o comando de Thomas Coville, ele estabeleceu o recorde de volta ao mundo mais rápida em um veleiro em 2016, completando a circunavegação em solitário em apenas 49 dias, 3 horas e 7 minutos. A combinação da experiência de Soudée com a performance comprovada do barco sugere que este pode ser o prenúncio de um novo capítulo na história da vela.
A jornada de Soudée não é isenta de perigos. Em seu diário de bordo, ele relata momentos de alta tensão, como a navegação em águas australianas divididas com plataformas de petróleo e navios de carga, exigindo vigilância constante. A comunicação com outras embarcações também se mostra um desafio, pois muitos capitães não estão acostumados a encontrar trimarãs em alta velocidade em certas rotas.
Apesar dos obstáculos, Guirec Soudée está no caminho certo para reescrever os livros de recordes da vela, provando que, mesmo navegando na contramão do mundo, é possível traçar um destino de glória.
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