CNPE aprova nova mistura e setor náutico expressa preocupação
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deu luz verde para um aumento na mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, elevando-a de 30% para 32%. Embora a medida vise, em tese, baratear o preço do combustível nas bombas, ela acende um alerta para o setor náutico brasileiro, que aponta uma série de riscos técnicos e de segurança decorrentes dessa alteração.
Problemas de compatibilidade e segurança em motores náuticos
Especialistas como o capitão Márcio Dottori, consultor técnico em navegação, e Eduardo Colunna, presidente da Associação Brasileira de Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar), alertam que motores de popa e centro-rabeta mais antigos não foram projetados para a nova proporção de etanol. Essa incompatibilidade pode levar a falhas inesperadas em pleno uso, elevando o risco de acidentes em situações perigosas, como em áreas de arrebentação ou próximas a rochas.
Condensação e custos elevados: os desafios da umidade e do rendimento
O ambiente marinho, naturalmente úmido, intensifica um problema comum em embarcações: a condensação de água nos tanques de combustível. Com o aumento do teor de etanol, a separação entre água e combustível torna-se mais provável e difícil de gerenciar a bordo. Adicionalmente, o etanol possui menor rendimento energético que a gasolina, o que significa que os navegadores precisarão de mais combustível para percorrer a mesma distância, resultando em gastos maiores. A necessidade de manutenções preventivas e corretivas mais frequentes também aponta para um aumento nos custos operacionais.
Falta de alternativas e ausência de diálogo com o setor
Ao contrário de outros países, o Brasil não oferece facilmente opções de gasolina pura para embarcações. Mesmo gasolinas premium com menor teor de etanol (como 25%) não são amplamente disponíveis nem acessíveis a todos os navegadores. Dottori e Colunna criticam a decisão do CNPE por ter sido tomada sem consulta prévia ao setor náutico e outros segmentos impactados. Colunna reforça que a segurança da navegação não pode ser comprometida sem um diálogo aberto e testes específicos para motores náuticos, ressaltando que a vida dos usuários depende da confiabilidade das embarcações.
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