Ilha Grande Navega Rumo ao Futuro: Barco Solar Elétrico Completa Mil Viagens Revolucionando o Transporte Náutico
Empreendimento pioneiro de André Cypriano e Ezequias de Oliveira transforma um barco a diesel em embarcação 100% movida a energia limpa, oferecendo navegação silenciosa e ecológica.
Em um cenário que antes parecia distante, Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ), testemunha uma verdadeira revolução na navegação. O primeiro táxi-boat 100% elétrico solar da região alcançou a marca expressiva de mil viagens em apenas três meses e meio de operação. Movendo turistas, hóspedes e moradores entre pontos estratégicos como a Vila do Abraão, o hotel Asalem e o recém-inaugurado Anexo Museu, a embarcação realiza cerca de dez trajetos diários, movida exclusivamente por energia solar.
Da Ideia à Realidade: A Transformação de um Barco Tradicional
A iniciativa é fruto da parceria entre o renomado fotógrafo André Cypriano e o experiente marinheiro caiçara Ezequias de Oliveira. A inspiração para a transição energética surgiu através de conversas com a velejadora Maritza, comandante do veleiro Saracura, que já utilizava um motor elétrico marítimo. A praticidade de não depender mais da logística complexa de abastecimento de diesel em Ilha Grande, somada à experiência pessoal de Cypriano com veículos elétricos em Nova York, selou a decisão.
“É só alegria!”, frase de Maritza que se tornou o lema do projeto. Cypriano relata a dificuldade logística de manter motores tradicionais na ilha e a inspiração que veio de seu skate elétrico, cujas baterias mantinham carga por longos períodos. “Pensei ‘Por que não aplicar isso na água?’”, comenta.
Benefícios Ambientais e Práticos da Navegação Limpa
Para Ezequias de Oliveira, a mudança representou um alívio físico e operacional. Com 17 anos de experiência, ele conhecia de perto os inconvenientes dos motores a diesel: quebras frequentes, ruído excessivo e o incômodo cheiro do combustível. “Trabalhar o dia inteiro cheirando a óleo diesel, e ainda receber hóspedes nessa atmosfera, não era o ideal”, afirma.
André Cypriano destaca o impacto ecológico positivo. “As pessoas não percebem, mas toda a água marinha que é sugada para refrigerar um motor diesel convencional sai superaquecida. Qualquer célula, plâncton ou pequeno organismo que passa por ali morre instantaneamente”, explica. Ele ressalta também a responsabilidade coletiva em diminuir o consumo de combustíveis fósseis, associados a conflitos globais.
O Projeto Mogli: Detalhes da Adaptação e Inovações
A transformação envolveu a adaptação de um barco de fibra de vidro de 7,5 metros, batizado de Mogli. O motor a diesel, a caixa acústica e os tanques de combustível foram removidos, liberando espaço interno e aumentando a capacidade homologada de 8 para 12 passageiros. O design foi atualizado com um novo esquema de cores (branco e amarelo) e uma estrutura de inox para suportar as placas solares.
Ezequias desenvolveu soluções elétricas e mecânicas inovadoras, como uma “correia dentada de sacrifício” para proteger o motor e o eixo em caso de travamento da hélice. O sistema de segurança elétrica também foi aprimorado com disjuntores individuais, evitando falhas constantes. As placas solares garantem autonomia total, recarregando as baterias em 1h30 sob sol forte, com a opção de recarga convencional rápida em caso de necessidade.
Um Novo Capítulo para a Navegação em Ilha Grande
A experiência de navegar no táxi-boat elétrico solar é descrita como poética. “Parece que você está flutuando ou até parado, só percebe o movimento ao olhar para o lado e ver a água passando”, descreve Cypriano. A dupla já planeja expandir o projeto, com a meta de realizar a primeira volta completa em Ilha Grande utilizando exclusivamente propulsão elétrica solar e, futuramente, construir novos barcos elétricos solares, incluindo um catamarã com design próprio para maior estabilidade e eficiência.
Paralelamente, Cypriano estuda a viabilidade de instalar pontos de abastecimento elétrico nos píeres do Anexo Museu, criando uma rede de navegação limpa na região. O táxi-boat elétrico solar não apenas revoluciona o transporte local, mas também se alinha perfeitamente à proposta do Anexo Museu, que une arte e natureza, oferecendo uma travessia silenciosa e contemplativa como prólogo para a experiência cultural.
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