Author: gabriel

  • Ilha da Trindade, Paraíso Isolado no Brasil, Revela “Rochas de Plástico” Moldadas por Tartarugas

    Um Fenômeno Inédito em um Santuário Natural

    Mesmo a Ilha da Trindade, um dos locais mais remotos do Brasil, a 1.100 km da costa do Espírito Santo, não está imune aos impactos da poluição humana. Um estudo publicado no Marine Pollution Bulletin revelou a formação de um inusitado tipo de rocha: as “plastistones”, compostas por plástico fundido a sedimentos naturais. O fenômeno, detectado pela primeira vez no Parcel das Tartarugas, na ilha, aponta para uma nova e preocupante forma de degradação ambiental.

    Como as “Plastistones” se Formam?

    As “plastistones” surgem quando resíduos plásticos, principalmente redes e cordas de pesca feitas de polietileno (HDPE), são submetidos a altas temperaturas. Esse aquecimento, seja por queima ou calor extremo, faz com que o plástico se funda aos elementos geológicos da ilha, como areia, conchas e rochas vulcânicas. O resultado é um material híbrido que se integra à paisagem.

    O Papel Involuntário das Tartarugas-Verdes

    A Ilha da Trindade, desabitada por civis e com acesso restrito, recebe lixo principalmente através das correntes marítimas e de atividades pesqueiras. No entanto, a pesquisa destacou um fator surpreendente: as tartarugas-verdes (Chelonia mydas). Esses animais, que habitam a região e migram por extensas áreas do litoral brasileiro, acabam por carregar detritos. Ao cavarem seus ninhos para a desova, as tartarugas reenterram o plástico que trazem consigo, misturando-o à areia e sedimentos. Esse processo acelera a formação das “plastistones” e aumenta a sua permanência na ilha.

    Consequências Ambientais e Geológicas

    O acúmulo de plástico nas áreas de nidificação das tartarugas-verdes é alarmante. Em 2019, uma área de 12m² já estava coberta por essas rochas plásticas, que, com o tempo e a ação das ondas, fragmentam-se em microplásticos. Esses fragmentos, além de poluírem a areia, liberam microfibras e compostos tóxicos no ambiente. A “interação geológica” do plástico, com enriquecimento por cálcio, sugere que o lixo está se tornando parte permanente da história geológica da ilha, podendo perdurar por milhares de anos. Os pesquisadores alertam para o risco de ingestão desses microplásticos pela fauna local, incluindo peixes, aves e caranguejos, além das próprias tartarugas.

    Um Alerta para Políticas Públicas

    Os resultados do estudo na Ilha da Trindade reforçam a urgência de políticas públicas eficazes para o gerenciamento de resíduos plásticos e ações coordenadas de limpeza. A prioridade deve ser dada a áreas de preservação e habitats de vida selvagem, como a ilha, que, apesar de sua localização remota, sofre com o legado da poluição humana. A formação das “plastistones” pode, inclusive, ser considerada um dos marcadores da era do Antropoceno, a época geológica marcada pela influência humana no planeta.

  • Schaefer 600: Conheça a Nova Lancha de Luxo que Redefine o Padrão de Navegação no Brasil

    Schaefer 600: A Nova Estrela da Schaefer Yachts Chega para Impressionar

    Um Marco na Construção Naval Brasileira

    A Schaefer Yachts, estaleiro catarinense com renome internacional, lança sua mais nova joia: a Schaefer 600. Projetada do zero, a embarcação de 60 pés representa a vanguarda em tecnologia, inovação e design, reafirmando a posição da empresa como um player global no mercado de lazer náutico. Márcio Schaefer, presidente e projetista da marca, destaca o lançamento com confiança: “Quando eu lanço um barco, sei que já estou dois anos à frente da concorrência”.

    Design e Inovação: A Assinatura Schaefer

    A Schaefer 600 é fruto de um meticuloso processo de desenvolvimento, iniciado no Centro de Design e Desenvolvimento (CDD) do estaleiro. Utilizando tecnologia de ponta, como fresadoras de cinco eixos e laminação a vácuo por infusão, a embarcação exibe linhas elegantes e uma construção robusta com baixo peso. O design interior e exterior foi pensado para maximizar o espaço e o conforto, com soluções inteligentes como as abas laterais retráteis na praça de popa, que ampliam a área de convívio em até 25%.

    Espaços Amplos e Confortáveis: Um Convite ao Lazer

    Ao embarcar na Schaefer 600, o visitante é recebido por um salão espaçoso, com pé-direito generoso e iluminação natural abundante. A cozinha em formato de “U” é prática e integrada, enquanto a sala de estar oferece sofás confortáveis e uma mesa de centro com controle elétrico de altura, que pode ser convertida em uma cama de casal provisória. O flybridge, estendido até a popa, oferece diferentes ambientes de convivência, incluindo um posto de comando, mesa de jantar e um espaço gourmet completo, ideal para o estilo de vida brasileiro.

    Cabines Luxuosas e Tecnologia Embarcada

    A Schaefer 600 acomoda confortavelmente até seis pessoas para pernoite em seus três camarotes no convés inferior. A suíte VIP na proa e a suíte principal a meia-nau oferecem o máximo de conforto e privacidade, com camas espaçosas, armários bem distribuídos e banheiros privativos. A preocupação com o meio ambiente é evidente nos sistemas de tratamento de águas cinzas e negras. Além disso, a embarcação conta com um camarote dedicado para dois tripulantes, com acesso direto à sala de máquinas, otimizando a operação.

    Desempenho e Autonomia: Navegação Sem Limites

    Equipada com dois motores Volvo Penta IPS 950 de 725 hp cada, a Schaefer 600 atinge velocidades superiores a 30 nós, com um regime de cruzeiro econômico de quase 23 nós. A autonomia de cerca de 200 milhas náuticas, graças aos tanques de combustível de 2.100 litros, permite viagens longas sem a necessidade de reabastecimento frequente. Em testes realizados em mar agitado, a embarcação demonstrou estabilidade, segurança e conforto excepcionais, com o cockpit permanecendo seco mesmo em condições adversas.

    Um Investimento em Qualidade e Prestígio

    Com um preço a partir de R$ 15 milhões, a Schaefer 600 se posiciona como um investimento de alto valor para quem busca exclusividade, desempenho e o máximo em conforto náutico. A embarcação representa não apenas um avanço tecnológico para a Schaefer Yachts, mas também um marco na indústria naval brasileira, pronta para conquistar os mares nacionais e internacionais.

  • Brasil Brilha em Fortaleza: Ouro e Bronze no Evento Teste da World Sailing 2027, de Olho nas Olimpíadas

    Brasil Conquista Ouro e Bronze em Evento Teste da World Sailing em Fortaleza

    Fortaleza sedia etapa preparatória para o Mundial de Vela de 2027 com resultados expressivos para a delegação brasileira.

    O Brasil encerrou sua participação no Evento Teste do Campeonato Mundial da World Sailing 2027, realizado em Fortaleza (CE), com um desempenho notável. A competição, que agitou as águas da capital cearense entre os dias 26 e 31 de janeiro, serviu como um importante teste para a organização do evento mundial e demonstrou o potencial da vela brasileira, culminando com a conquista de quatro medalhas, incluindo o ouro de Gustavo Kiessling na classe ILCA 7.

    Gustavo Kiessling Lidera Pódio Brasileiro na ILCA 7

    Aos 17 anos, Gustavo Kiessling, já havia se destacado na fase classificatória e confirmou seu favoritismo ao vencer as duas regatas da série final da classe ILCA 7 (antiga Laser). Com um somatório de 17 pontos líquidos, Kiessling garantiu a medalha de ouro, celebrando a vitória em casa. O pódio da ILCA 7 foi totalmente brasileiro, com Antonio Rosa e Pedro Madureira conquistando a prata e o bronze, respectivamente. “Muito legal vencer em casa. Já de olho no Mundial do ano que vem, aqui em Fortaleza. Expectativa é a melhor possível”, comentou o jovem velejador.

    Bruno Lobo Garante Bronze no Fórmula Kite

    Na desafiadora classe Fórmula Kite, o brasileiro Bruno Lobo, que liderou a fase classificatória, conquistou a medalha de bronze em uma disputa acirrada. Lobo ficou atrás apenas de Maximilian Maeder (Singapura) e Gian Stragiotti (Suíça), demonstrando o alto nível técnico dos competidores. A velejadora Valentina Roma representou o Brasil na ILCA 6, finalizando em 10º lugar geral.

    Fortaleza se Prepara para o Mundial de 2027

    O Evento Teste teve como principal objetivo analisar as raias de regata, a infraestrutura e a operação logística para o Campeonato Mundial de 2027, que acontecerá na mesma cidade. A competição reuniu atletas de 32 países, incluindo nações emergentes na vela olímpica, e foi organizada pela Confederação Brasileira de Vela (CBVela) em parceria com a Federação de Vela e Motor do Estado do Ceará (FVMEC). “Esse processo é fundamental para garantir a excelência organizacional do Campeonato Mundial de 2027”, destacou Walter Boddener, gerente de eventos da CBVela.

    Um Salto para o Futuro da Vela Brasileira

    Além de sua função preparatória, o evento em Fortaleza reforça o compromisso da vela brasileira e da World Sailing com a expansão global da modalidade, especialmente em países em desenvolvimento. A cidade cearense foi escolhida por suas condições naturais favoráveis e infraestrutura adequada. O Campeonato Mundial de 2027 deverá reunir cerca de 750 atletas de aproximadamente 80 países e servirá como seletiva para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. “É uma grande oportunidade para nos prepararmos para 2026 e para o Mundial de 2027, onde queremos classificar o Brasil para os Jogos de Los Angeles 2028”, declarou Juan Sienra, Gerente de Esportes da CBVela. O evento contou com o apoio do Governo Federal e da Prefeitura de Fortaleza.

  • Dança das Borboletas: A Tradicional Corrida de Canoas que Colore o Rio São Francisco em Penedo

    Um Espetáculo Fluvial em Alagoas

    Penedo, a 145 km de Maceió, em Alagoas, é palco de um evento que transcende a simples competição: a Corrida de Canoas. Mais do que um meio de transporte, as embarcações artesanais de madeira tornam-se verdadeiras obras de arte em movimento. Anualmente, o Rio São Francisco se enche de cores vibrantes, transformando a corrida em uma impressionante “dança das borboletas”. Este evento tradicional antecede a procissão fluvial em celebração a Bom Jesus dos Navegantes, uma manifestação religiosa católica com forte presença na cidade.
    A competição, geralmente realizada na manhã do segundo domingo de janeiro, tem um formato simples, mas emocionante. Canoeiros partem com suas “canoas de corrida” – onde qualquer tipo de motorização é estritamente proibida – do porto da comunidade Ponta Mofina, com destino à Orla Ribeirinha de Penedo, nas proximidades da Praça 12 de Abril, no Centro Histórico. Os vencedores são premiados em dinheiro, com a última edição (2026) distribuindo R$ 9,5 mil aos melhores colocados.

    As “Canoas a Vela”: Arte e Velocidade no Rio

    A “dança das borboletas” ganha vida com a transformação das canoas em embarcações a vela. Para atingir velocidades competitivas, os competidores adicionam um grande mastro com “panos” – como são chamadas as velas pelos ribeirinhos. Essa adaptação eleva a corrida a um patamar de espetáculo visual. Vistas de cima, as velas coloridas criam a ilusão de que os céus estão participando de uma “dança louca das borboletas”, como diria Zé Ramalho. A competição, que une fé, força e habilidade náutica, conta com o acompanhamento de equipes da Marinha e do Corpo de Bombeiros. O trajeto de aproximadamente 12 km pode levar até duas horas para ser concluído.

    Categorias da Competição: Habilidade e Estratégia

    A Corrida de Canoas é dividida em quatro categorias distintas, ou “páreos”, que acomodam embarcações de diferentes tamanhos e características. A inscrição para o evento é gratuita, reforçando o valor cultural e a tradição náutica de Penedo.

    Primeiro Páreo: Pesca Artesanal em Destaque

    Nesta categoria, navegam os barcos mais simples, utilizados diariamente na pesca artesanal. São embarcações “bojudentas” e pesadas, priorizando estabilidade em detrimento de velocidade pura. Cada barco compete com apenas uma vela. A disputa é acirrada, pois a vitória depende mais do conhecimento das correntes e dos “segredos” do rio do que da embarcação em si.

    Segundo Páreo: O Desafio do “Barco Fino”

    O “barco fino” é mais adequado para corridas, com um casco estreito e longo. Embora também limite a uma vela, esta costuma ser maior e mais leve. A instabilidade dessas canoas exige que a tripulação atue como lastro vivo, mantendo o equilíbrio em relação ao vento. A agilidade da equipe é fundamental para evitar viradas.

    Terceiro e Quarto Púreos: Canoas Maiores e Mais Velozes

    A principal diferença entre essas duas categorias é o comprimento do casco. O terceiro páreo aceita canoas de até 9,10 metros, enquanto o quarto páreo abrange embarcações de até 12 metros. Nesses páreos, é comum o uso de duas velas (mastro principal e mezena), exigindo coordenação impecável da tripulação, que pode chegar a 4 ou 5 pessoas para garantir o equilíbrio. A premiação nessas categorias é significativamente maior.

    Na edição de 2026, a embarcação “Madona” levou o prêmio principal do quarto páreo. O evento contou com nomes criativos de barcos como “Léo Santana”, “Nubank”, “Mercenário” e “UFC”, que conquistou o “cinturão” do terceiro páreo. A Corrida de Canoas em Penedo é, portanto, uma celebração da cultura ribeirinha, onde o Rio São Francisco é a alma da história penedense.

  • Veleiros da Ilha 2024: Jurerê Recebe o 37º Circuito Oceânico com Regatas, Música e Confraternização

    Regatas e Competição

    Jurerê, em Florianópolis, será o palco do 37º Circuito Oceânico Veleiros da Ilha Hantei, um dos eventos mais aguardados no calendário da vela oceânica brasileira. De 5 a 8 de fevereiro, mais de 40 embarcações já confirmaram presença, representando diversas classes e regiões do país. Promovido pelo Veleiros da Ilha, o circuito contará com regatas de percurso e barla-sota, adaptadas às categorias participantes, que incluem ORC, C30, HPE-30, Super Series 30’, BRA-RGS, RGS-Cruzeiro, RGS-Cruiser e Delta 41. A expressiva quantidade de inscritos reforça a credibilidade do evento e a força da modalidade em Santa Catarina, segundo destacou o Comodoro Junior, do Veleiros da Ilha.

    Agenda Social e Entretenimento

    Além da emoção das competições na água, o 37º Circuito Oceânico Veleiros da Ilha Hantei preparou uma completa agenda social. O objetivo é promover a integração entre tripulações, sócios do clube e convidados ao longo de toda a semana. O evento contará com ativações de moda náutica, serviços de massagem para relaxamento dos velejadores e momentos de confraternização após as regatas. A programação musical ao vivo promete animar os participantes, com apresentações que vão do pagode e samba do grupo Swing Maneiro na sexta-feira, ao rock da banda paulista Tom Cats no sábado. O tradicional Churrasco do Comodoro também está confirmado para o sábado.

    Encerramento e Premiação

    O domingo marcará o encerramento do circuito com a cerimônia oficial de premiação, celebrando os vencedores das diferentes categorias. Uma atração surpresa está reservada para fechar o evento com chave de ouro. Para os interessados em participar ou acompanhar mais de perto, o aviso de regata com todos os detalhes já está disponível para consulta no site oficial do Veleiros da Ilha.

    Vela Oceânica em Destaque

    O Circuito Oceânico Veleiros da Ilha se consolida como um marco para a vela oceânica no Brasil. A participação de mais de 40 embarcações de diferentes classes e a organização de um evento que mescla competição de alto nível com uma rica programação social demonstram o crescimento e a vitalidade da modalidade, especialmente em Santa Catarina. O evento não só atrai velejadores experientes, mas também promove o esporte e o turismo náutico na região de Jurerê.

  • Rádio no Barco: Guia Completo da Normam-211 para Navegação Segura

    Rádio no Barco: Guia Completo da Normam-211 para Navegação Segura

    Entenda quais equipamentos de radiocomunicação são obrigatórios e recomendados para cada tipo de embarcação e navegação, garantindo sua segurança no mar.

    Navegar é uma atividade libertadora, mas a segurança deve ser sempre a prioridade. A Normam-211, documento que estabelece as normas da Autoridade Marítima para atividades de esporte e recreio, define regras criteriosas para equipamentos de comunicação a bordo. Embora o rádio VHF não seja obrigatório em todos os casos, especialistas recomendam sua presença, e a norma detalha os tipos de radiocomunicadores necessários, levando em conta o tamanho da embarcação e o tipo de navegação (interior, costeira ou oceânica).

    Obrigatoriedade de Rádio por Tamanho da Embarcação e Tipo de Navegação

    Iates (a partir de 24 metros): Para navegação costeira ou oceânica, iates precisam de um transceptor em HF SSB com DSC. Alternativamente, pode-se optar por telefone satelital (IRIDIUM ou INMARSAT) ou comunicadores via satélite (SPOT X, IRIDIUM GO). Para navegação interior, apenas o rádio VHF é exigido. Embarcações maiores também devem possuir uma fonte de energia reserva para equipamentos de socorro e segurança.

    Embarcações de Médio Porte (6,1 a 24 metros): Em navegação oceânica, é obrigatório o rádio HF SSB com DSC, que também pode ser substituído por comunicadores via satélite. Para navegação costeira, um rádio VHF com DSC é exigido. Na navegação interior, não há obrigatoriedade, mas a Normam-211 recomenda um rádio VHF (fixo ou portátil). Veleiros de médio porte com antena de VHF no mastro devem ter uma antena de emergência.

    Embarcações Miúdas (até 6 metros): A Normam-211 não exige nenhum tipo de radiocomunicador para barcos de pequeno porte, como embarcações auxiliares com até 6 metros de comprimento e motorização de popa de até 50 hp.

    DSC e Frequências Importantes

    O DSC (Digital Selective Calling) é um padrão de rádio marítimo que permite o envio automatizado e digital de chamadas de socorro, segurança ou rotina pelo Canal 70. Com um único botão, ele envia um alerta com a identificação MMSI da embarcação e, se conectado a um GPS, a localização. O rádio VHF marítimo deve operar na frequência de 156,8 MHz (canal 16) para socorro, e o DSC pode usar 156,525 MHz (canal 70). Rádios HF devem atender à frequência Internacional de Socorro (4.125 KHz).

    Potência e Recomendações de Especialistas

    Em termos de potência, rádios HF SSB devem operar a pelo menos 75 milhas da costa. Rádios VHF fixos precisam de um mínimo de 25W, enquanto os portáteis não têm potência mínima definida, mas devem estar sempre com a bateria totalmente carregada. Especialistas como Guilherme Kodja e Marcio Dottori recomendam fortemente a presença de um rádio VHF portátil em qualquer embarcação, mesmo que não seja obrigatório. Eles destacam a eficiência e a utilidade como meio de comunicação auxiliar, especialmente em situações de emergência onde o sinal de celular pode falhar.

    Como Pedir Ajuda pelo Rádio VHF

    Existem três comandos universais para pedir socorro pelo rádio VHF, a serem feitos primeiramente no canal 16 e depois no canal 68:

    • Mayday (May-day): Para risco iminente de naufrágio. Repita o termo três vezes, informe o nome do barco, posição e descreva a emergência (afundando, acidente).
    • Pan (Pã): Para ocorrências médicas urgentes. Repita o termo três vezes, informe o nome do barco, posição e detalhe a condição médica.
    • Security (Securitê): Para indicar perigo à navegação. Repita o termo três vezes, informe o nome do barco, posição e descreva o objeto perigoso.

    Em todos os casos, a comunicação da posição é crucial. Se não for possível usar coordenadas GPS, descreva a localização com base em pontos de referência fixos, como praias ou ilhas próximas.

  • Mercedes-Benz Reinventa Luxo Náutico: Megaiate “Beyond Horizons” Oferece Copropriedade Exclusiva

    Mercedes-Benz Reinventa Luxo Náutico: Megaiate “Beyond Horizons” Oferece Copropriedade Exclusiva

    Esqueça os modelos tradicionais de aluguel ou posse de embarcações de luxo. A Mercedes-Benz, em colaboração com a Maybach Ocean Club, apresenta um projeto inovador para o universo náutico: o megaiate “Beyond Horizons”. Com 154 metros de comprimento, esta embarcação, com previsão de lançamento em 2029, será um clube privado flutuante, operando sob um sistema de copropriedade ultra-exclusivo.

    Um Clube Privado Flutuante para Selecionados

    O “Beyond Horizons” não será um cruzeiro comum nem um iate de charter. A proposta é criar um “condomínio de luxo ultra-exclusivo e flutuante”, acessível apenas a um grupo selecionado de pessoas cujos estilos de vida se alinhem com a proposta do clube. O modelo de associação funcionará através de uma taxa anual, equivalente a aproximadamente 5% do investimento inicial, cobrindo custos de gestão, tripulação, combustível, taxas portuárias, seguro e manutenção.

    Comunidade e Experiências Sob Medida

    O objetivo é formar uma comunidade de 300 coproprietários, cada um com direito a quatro semanas de uso do megaiate por ano, reminiscente de um modelo de multipropriedade. O clube foi projetado para fomentar conexões significativas entre pessoas com interesses semelhantes, oferecendo rituais e experiências cuidadosamente selecionadas. Os membros terão acesso a todas as áreas comuns, suítes privadas, restaurantes, beach club e demais instalações. A associação inclui uma gama de atividades, desde esportes aquáticos e passeios de barco até práticas de ioga e bem-estar. Um diferencial é a parceria com a Splendid Sea, que utiliza tecnologia e atendimento humanizado para garantir flexibilidade e igualdade na gestão do tempo de uso, permitindo que os membros convidem amigos e familiares.

    Um Modelo de Negócio Inovador para Megaiates

    A Maybach Ocean Club destaca que o modelo de negócio foi cuidadosamente pensado para otimizar o uso de um megaiate, que frequentemente fica subutilizado. Ao contrário de iates privados que passam tempo ocioso em portos, ou cruzeiros ultraluxuosos com atividades limitadas, o “Beyond Horizons” visa oferecer uma experiência dinâmica e consistente. O projeto também se diferencia de iates de charter, que podem apresentar desigualdades nas acomodações, e da ideia de uma residência flutuante, que pode carecer de vivacidade. “O Beyond Horizons foi concebido com a missão de traduzir a filosofia da Mercedes-Maybach — qualidade e artesanato sem concessões — em uma verdadeira obra-prima marítima”, explica Michael Hehn, cofundador e diretor-gerente da Maybach.

    Design e Sustentabilidade em Harmonia

    O megaiate apresentará 30 suítes idênticas, cada uma com 74 m² e varanda privativa, garantindo igualdade de experiência para todos os coproprietários. A embarcação contará com uma tripulação de 80 a 85 pessoas, assegurando um serviço de alto padrão. O design interior reflete a filosofia da Mercedes-Benz, combinando artesanato tradicional com tecnologia sofisticada, utilizando materiais e cores inspirados na estética da marca automobilística. Destaque para o beach club com piscinas infinitas e terraços em madeira teca. Em termos de sustentabilidade, o “Beyond Horizons” foi projetado para propulsão a metanol ou biodiesel, visando uma redução significativa nas emissões. Como complemento, um Shadow Vessel de 70 metros acompanhará o megaiate, transportando brinquedos aquáticos, lanchas de apoio e equipe técnica.

    Exclusividade e Lista de Espera

    Devido à natureza exclusiva do projeto, as vagas são limitadas e há uma lista de espera no site da Maybach Ocean. Os potenciais membros passarão por uma análise criteriosa antes de serem aceitos no clube. O “Beyond Horizons” se posiciona não apenas como um megaiate, mas como um refúgio flutuante e um ponto de encontro social para uma comunidade de elite.

  • Tripulação 100% feminina completa volta ao mundo em 57 dias e encerra hiato de 27 anos

    Histórico Preenchido: A Jornada Triunfal da Tripulação Feminina

    Uma cicatriz que persistia há quase três décadas na história da vela foi finalmente fechada. Em um feito notável, a tripulação 100% feminina, liderada por Alexia Barrier a bordo do veleiro IDEC Sport, completou uma volta ao mundo sem escalas em um multicasco. A aventura, que durou 57 dias, 21 horas e 20 minutos, não apenas estabeleceu um novo tempo a ser batido, mas também representou uma reparação histórica para o esporte feminino.

    Um Sonho Reinventado Após 27 Anos de Espera

    Em 1999, o sonho de Tracy Edwards e sua equipe de dez mulheres de completar uma volta ao mundo sem escalas foi tragicamente interrompido quando o mastro de seu veleiro cedeu. Por 27 anos, o vácuo de uma tentativa bem-sucedida permaneceu, até que Alexia Barrier e sua equipe de oito velejadoras de sete nacionalidades distintas reascenderam a chama. A conquista do IDEC Sport, embora não tenha batido o recorde do troféu Júlio Verne — atualmente detido pelo Sodebo Ultim 3 com 40 dias —, solidificou seu lugar na história como a primeira tripulação inteiramente feminina a alcançar tal feito em um multicasco.

    Desafios Superados: Da Maré de Azar à Resiliência Inabalável

    A jornada não foi isenta de percalços. Logo no início, no Atlântico, um defeito no “gancho” que fixa a vela mestra ao mastro forçou a tripulação a realizar ajustes manuais de centenas de quilos de velas a cada mudança de vento, uma tarefa árdua e de alto risco. A situação se agravou no Oceano Pacífico, quando uma rede de pesca gigante se enroscou na quilha, reduzindo drasticamente a velocidade da embarcação e forçando uma perigosa manobra de ré para remoção. Para piorar, a quilha ficou presa, obrigando a equipe a continuar a viagem sem esse componente vital.

    Cabo Horn e a Reta Final: A Prova de Fogo da Tripulação

    A passagem pelo Cabo Horn apresentou ondas de 8 metros e ventos de 50 nós, testando a coragem e a habilidade da tripulação, que já navegava com a vela mestra danificada. A superação deste marco, antes mesmo de completar a volta ao mundo, já era inédita para uma tripulação feminina em multicasco sem escalas. Na reta final, no Atlântico Norte, a vela mestra rasgou-se completamente, exigindo improviso com costuras para continuar a navegação sob ventos fortes. A perda da quilha tornou o piloto automático instável, forçando revezamentos manuais no leme até a linha de chegada. Mesmo a chegada da Tempestade Ingrid foi enfrentada com configurações mínimas de velas e turnos exaustivos. Nada disso, contudo, impediu que essas oito mulheres reescrevessem a história da vela.

  • Família Schurmann: A bordo do veleiro Kat em Fernando de Noronha, conheça o lar sustentável que completou a 4ª volta ao mundo

    O Reencontro em Fernando de Noronha

    Fernando de Noronha se tornou palco de um momento especial: a Família Schurmann, recém-chegada da sua quarta volta ao mundo, recebeu a equipe do Bombarco a bordo do seu lar e instrumento de expedições, o veleiro Kat. A visita, realizada em meio à beleza estonteante do arquipélago, marcou o reencontro da família com a ilha, um local com forte conexão histórica para eles desde a década de 1980. A parada em Noronha foi estratégica, servindo como um merecido descanso após quatro anos contínuos de navegação oceânica.

    Conheça o Veleiro Kat: Um Lar Flutuante e Laboratório Sustentável

    Construído ao longo de dois anos e meio, o Kat não é apenas um veleiro, mas sim uma residência projetada para a vida em alto mar e para a realização de expedições científicas. A bordo, Wilhelm Schurmann, filho do casal Vilfredo e Heloísa, detalhou a impressionante estrutura técnica da embarcação. Heloísa Schurmann, por sua vez, destacou o Kat como um lar e um exemplo vivo de práticas sustentáveis. O veleiro conta com sistemas avançados de filtragem de água e tratamento integral de esgoto, garantindo que todo efluente seja devolvido ao oceano sem poluição. Cada cabine, batizada com o nome de um animal marinho, reforça a identidade do projeto Voz dos Oceanos.

    Inovações em Sustentabilidade e Autonomia

    O Kat impressiona pelas suas soluções inovadoras voltadas para a sustentabilidade e autonomia. Um centro de reciclagem a bordo, equipado com compactadora de resíduos e uma máquina que transforma vidro em areia, minimiza o impacto ambiental durante as longas travessias. A autonomia hídrica é garantida por um dessalinizador capaz de produzir até 200 litros de água por hora, permitindo longos períodos longe da terra firme. A engenharia do barco também se destaca pela quilha retrátil, que permite ajustar o calado de cinco para dois metros, viabilizando o acesso a áreas costeiras rasas que seriam inacessíveis para embarcações de seu porte. Em caso de navegação oceânica, a quilha totalmente baixada, com cerca de 27 toneladas, confere estabilidade excepcional.

    Tecnologia e Projeto de Ponta

    A casa de máquinas do Kat abriga dois motores potentes, sistemas hidráulicos redundantes e circuitos elétricos robustos. A proa é equipada com três âncoras, um guincho hidráulico e um plano vélico de alta performance, com mastro principal de 30 metros e velas de grande área projetadas para otimizar a navegação mesmo em ventos fracos. O projeto estrutural do veleiro leva a assinatura de Horácio Carabelli, com diversas soluções aprimoradas na prática durante as expedições, incluindo navegações desafiadoras até a Antártica.

    O Projeto Voz dos Oceanos: Um Legado de Conscientização

    Em paralelo à apresentação do veleiro, a conversa com Vilfredo e Heloísa Schurmann aprofundou o projeto Voz dos Oceanos. Nascido após a impactante expedição Oriente, quando a família se deparou com uma praia coberta de plástico em uma ilha desabitada nas Filipinas, a iniciativa evoluiu para mapear a poluição plástica, as mudanças climáticas e, principalmente, disseminar soluções locais encontradas ao redor do globo. Durante a quarta volta ao mundo, o Kat registrou os efeitos do aumento do nível do mar e a presença de microplásticos em regiões remotas. Ao encerrar o ciclo de expedições, a Família Schurmann reafirma que o projeto Voz dos Oceanos continua ativo, servindo como uma plataforma essencial para mobilização, educação e articulação de soluções para a saúde dos nossos oceanos.

  • Casal de Velejadores Compartilha Tesouro Brasileiro: Mapa Colaborativo de Pontos de Ancoragem Seguros

    Uma Jornada de Marés e Informação

    Com mais de 45 anos de experiência em vela e uma jornalista que acumula milhas náuticas, Hans e Karina, casados há 32 anos, encontraram no mar um propósito maior. O que começou como uma busca por informações sobre ancoradouros seguros na costa nordeste, em 2009, evoluiu para um legado valioso: uma base de dados colaborativa e gratuita sobre pontos de ancoragem em todo o Brasil.

    Do Sonho à Realidade: Um Projeto Nascido da Necessidade

    A ideia de criar um guia surgiu quando o casal planejava a travessia de São Luís (MA) a Recife (PE) com seu primeiro catamarã. A carência de dados confiáveis fora do circuito náutico tradicional os impulsionou a explorar a costa antes mesmo do barco ficar pronto. Percorrendo praias e vilarejos de carro 4×4 e contando com a ajuda de pescadores locais, Hans e Karina coletaram informações essenciais sobre ancoradouros, canais de acesso e a receptividade das comunidades.

    Um Legado que Ultrapassa Fronteiras

    As anotações e waypoints foram cuidadosamente organizados em arquivos digitais. A convicção de que o Brasil possui vastos e acessíveis tesouros por via marítima ganhou força internacional em 2022, quando o catamarã da família serviu de “embaixada flutuante” na Cidade do Cabo, África do Sul. Durante a Cape2Rio, muitos navegadores estrangeiros buscaram informações sobre o país, destacando a importância do material produzido pelo casal, mesmo que inicialmente em português.

    Colaboração e Gratuidade: O Coração do Projeto

    Motivados pela demanda e pela paixão em compartilhar o que o Brasil tem a oferecer, Hans e Karina decidiram transformar seus anos de pesquisa em um site. Sem experiência prévia em desenvolvimento, eles tocaram o projeto sozinhos, utilizando plataformas de inteligência artificial. Hoje, o site cataloga características de barras e ancoradouros em todo o país, com informações que vão além do levantamento inicial do casal, contando com a colaboração de outros navegadores. O acesso é e sempre será totalmente gratuito, com o casal pedindo em troca apenas a colaboração com novas informações e a divulgação da plataforma.

    Um Guia em Constante Construção

    O projeto já recebeu contribuições de diversas cidades brasileiras e todo o conteúdo passa por um rigoroso processo de conferência antes de ser publicado. Além da geolocalização, nome e contato dos responsáveis pelos atracadouros, o casal planeja expandir o acervo com mapas antigos, mais fotos e uma lista de referências, como guias, livros e vídeos. É um trabalho contínuo para que mais entusiastas do universo náutico possam explorar o Brasil com segurança e conhecimento.