Saberes e Fazeres da Costa Brasileira como Motor de Crescimento
O Brasil, com sua vasta costa e rica biodiversidade, possui um potencial imenso para o turismo gastronômico. No entanto, para que esse potencial seja plenamente explorado, é fundamental investir em educação e políticas públicas que valorizem a diversidade de saberes e fazeres locais. A professora de gastronomia Fabiana Mortimer Amaral destacou, durante o 2º Fórum Náutico Internacional da ANB, que a gastronomia, aliada ao setor náutico, pode ser um importante motor de crescimento econômico. “Precisamos interagir com as pessoas dos ecossistemas para respeitar a história e as culturas alimentares e para isso a educação faz toda a diferença”, afirmou Mortimer, mediadora do painel “Pesca e Aquicultura: Da Produção à Gastronomia”.
Aquicultura em Ascensão e a Importância do Manejo Sustentável
O diretor da BAHIA PESCA, George da Hora Jr., apresentou dados promissores sobre o setor de aquicultura. A Bahia, por exemplo, figura entre os principais estados produtores de tilápia, com o Brasil ocupando uma posição de destaque mundial. O cultivo de tilápia tem apresentado um crescimento expressivo, impulsionando a gastronomia local e regional. “O pescado é transformado na gastronomia, mas antes de chegar à mesa, precisa de rastreio e manuseio adequado. Isso é responsabilidade social, ambiental e renda no bolso do produtor”, ressaltou Hora Jr., enfatizando a conexão entre produção sustentável e geração de valor.
Consciência Ecológica na Ponta da Cadeia Gastronômica
A chef Angeluci Figueiredo, à frente do restaurante Preta, na Ilha dos Frades, trouxe a perspectiva prática da operação gastronômica em um ambiente natural. “A natureza faz você ter paciência. Tudo vai de barco e depende da maré”, compartilhou, evidenciando a necessidade de adaptação aos ritmos naturais. A chef destacou a importância de respeitar os ciclos da natureza e os períodos de defeso, aprendendo com a própria natureza. “A gente tem que entender que a natureza não é uma prateleira de mercado. Precisamos ter consciência. Restaurante deve ter um cardápio que respeite os ciclos da natureza e os clientes também precisam entender isso”, defendeu Figueiredo. A gestão ambiental em ilhas também é crucial, com práticas como a eliminação de canudos e guardanapos de papel, e a reciclagem de óleo de cozinha para produção de sabão.
Políticas Públicas e a Preservação da Pesca Artesanal
O consultor português Nuno Antunes Nobre, representando a ONU/UE, alertou para a necessidade de um manejo pesqueiro mais responsável em escala global, com o devido respeito aos períodos de defeso. Ele também defendeu a implementação de políticas públicas que priorizem a pesca artesanal, garantam o bem-estar dos peixes na aquicultura e promovam o envolvimento das comunidades em ações de educação ambiental. A integração entre o setor produtivo, a gastronomia e as políticas de conservação é vista como essencial para um futuro sustentável do turismo gastronômico no Brasil.