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  • Brasil Brilha em Fortaleza: Ouro e Bronze no Evento Teste da World Sailing 2027, de Olho nas Olimpíadas

    Brasil Conquista Ouro e Bronze em Evento Teste da World Sailing em Fortaleza

    Fortaleza sedia etapa preparatória para o Mundial de Vela de 2027 com resultados expressivos para a delegação brasileira.

    O Brasil encerrou sua participação no Evento Teste do Campeonato Mundial da World Sailing 2027, realizado em Fortaleza (CE), com um desempenho notável. A competição, que agitou as águas da capital cearense entre os dias 26 e 31 de janeiro, serviu como um importante teste para a organização do evento mundial e demonstrou o potencial da vela brasileira, culminando com a conquista de quatro medalhas, incluindo o ouro de Gustavo Kiessling na classe ILCA 7.

    Gustavo Kiessling Lidera Pódio Brasileiro na ILCA 7

    Aos 17 anos, Gustavo Kiessling, já havia se destacado na fase classificatória e confirmou seu favoritismo ao vencer as duas regatas da série final da classe ILCA 7 (antiga Laser). Com um somatório de 17 pontos líquidos, Kiessling garantiu a medalha de ouro, celebrando a vitória em casa. O pódio da ILCA 7 foi totalmente brasileiro, com Antonio Rosa e Pedro Madureira conquistando a prata e o bronze, respectivamente. “Muito legal vencer em casa. Já de olho no Mundial do ano que vem, aqui em Fortaleza. Expectativa é a melhor possível”, comentou o jovem velejador.

    Bruno Lobo Garante Bronze no Fórmula Kite

    Na desafiadora classe Fórmula Kite, o brasileiro Bruno Lobo, que liderou a fase classificatória, conquistou a medalha de bronze em uma disputa acirrada. Lobo ficou atrás apenas de Maximilian Maeder (Singapura) e Gian Stragiotti (Suíça), demonstrando o alto nível técnico dos competidores. A velejadora Valentina Roma representou o Brasil na ILCA 6, finalizando em 10º lugar geral.

    Fortaleza se Prepara para o Mundial de 2027

    O Evento Teste teve como principal objetivo analisar as raias de regata, a infraestrutura e a operação logística para o Campeonato Mundial de 2027, que acontecerá na mesma cidade. A competição reuniu atletas de 32 países, incluindo nações emergentes na vela olímpica, e foi organizada pela Confederação Brasileira de Vela (CBVela) em parceria com a Federação de Vela e Motor do Estado do Ceará (FVMEC). “Esse processo é fundamental para garantir a excelência organizacional do Campeonato Mundial de 2027”, destacou Walter Boddener, gerente de eventos da CBVela.

    Um Salto para o Futuro da Vela Brasileira

    Além de sua função preparatória, o evento em Fortaleza reforça o compromisso da vela brasileira e da World Sailing com a expansão global da modalidade, especialmente em países em desenvolvimento. A cidade cearense foi escolhida por suas condições naturais favoráveis e infraestrutura adequada. O Campeonato Mundial de 2027 deverá reunir cerca de 750 atletas de aproximadamente 80 países e servirá como seletiva para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. “É uma grande oportunidade para nos prepararmos para 2026 e para o Mundial de 2027, onde queremos classificar o Brasil para os Jogos de Los Angeles 2028”, declarou Juan Sienra, Gerente de Esportes da CBVela. O evento contou com o apoio do Governo Federal e da Prefeitura de Fortaleza.

  • Dança das Borboletas: A Tradicional Corrida de Canoas que Colore o Rio São Francisco em Penedo

    Um Espetáculo Fluvial em Alagoas

    Penedo, a 145 km de Maceió, em Alagoas, é palco de um evento que transcende a simples competição: a Corrida de Canoas. Mais do que um meio de transporte, as embarcações artesanais de madeira tornam-se verdadeiras obras de arte em movimento. Anualmente, o Rio São Francisco se enche de cores vibrantes, transformando a corrida em uma impressionante “dança das borboletas”. Este evento tradicional antecede a procissão fluvial em celebração a Bom Jesus dos Navegantes, uma manifestação religiosa católica com forte presença na cidade.
    A competição, geralmente realizada na manhã do segundo domingo de janeiro, tem um formato simples, mas emocionante. Canoeiros partem com suas “canoas de corrida” – onde qualquer tipo de motorização é estritamente proibida – do porto da comunidade Ponta Mofina, com destino à Orla Ribeirinha de Penedo, nas proximidades da Praça 12 de Abril, no Centro Histórico. Os vencedores são premiados em dinheiro, com a última edição (2026) distribuindo R$ 9,5 mil aos melhores colocados.

    As “Canoas a Vela”: Arte e Velocidade no Rio

    A “dança das borboletas” ganha vida com a transformação das canoas em embarcações a vela. Para atingir velocidades competitivas, os competidores adicionam um grande mastro com “panos” – como são chamadas as velas pelos ribeirinhos. Essa adaptação eleva a corrida a um patamar de espetáculo visual. Vistas de cima, as velas coloridas criam a ilusão de que os céus estão participando de uma “dança louca das borboletas”, como diria Zé Ramalho. A competição, que une fé, força e habilidade náutica, conta com o acompanhamento de equipes da Marinha e do Corpo de Bombeiros. O trajeto de aproximadamente 12 km pode levar até duas horas para ser concluído.

    Categorias da Competição: Habilidade e Estratégia

    A Corrida de Canoas é dividida em quatro categorias distintas, ou “páreos”, que acomodam embarcações de diferentes tamanhos e características. A inscrição para o evento é gratuita, reforçando o valor cultural e a tradição náutica de Penedo.

    Primeiro Páreo: Pesca Artesanal em Destaque

    Nesta categoria, navegam os barcos mais simples, utilizados diariamente na pesca artesanal. São embarcações “bojudentas” e pesadas, priorizando estabilidade em detrimento de velocidade pura. Cada barco compete com apenas uma vela. A disputa é acirrada, pois a vitória depende mais do conhecimento das correntes e dos “segredos” do rio do que da embarcação em si.

    Segundo Páreo: O Desafio do “Barco Fino”

    O “barco fino” é mais adequado para corridas, com um casco estreito e longo. Embora também limite a uma vela, esta costuma ser maior e mais leve. A instabilidade dessas canoas exige que a tripulação atue como lastro vivo, mantendo o equilíbrio em relação ao vento. A agilidade da equipe é fundamental para evitar viradas.

    Terceiro e Quarto Púreos: Canoas Maiores e Mais Velozes

    A principal diferença entre essas duas categorias é o comprimento do casco. O terceiro páreo aceita canoas de até 9,10 metros, enquanto o quarto páreo abrange embarcações de até 12 metros. Nesses páreos, é comum o uso de duas velas (mastro principal e mezena), exigindo coordenação impecável da tripulação, que pode chegar a 4 ou 5 pessoas para garantir o equilíbrio. A premiação nessas categorias é significativamente maior.

    Na edição de 2026, a embarcação “Madona” levou o prêmio principal do quarto páreo. O evento contou com nomes criativos de barcos como “Léo Santana”, “Nubank”, “Mercenário” e “UFC”, que conquistou o “cinturão” do terceiro páreo. A Corrida de Canoas em Penedo é, portanto, uma celebração da cultura ribeirinha, onde o Rio São Francisco é a alma da história penedense.

  • Veleiros da Ilha 2024: Jurerê Recebe o 37º Circuito Oceânico com Regatas, Música e Confraternização

    Regatas e Competição

    Jurerê, em Florianópolis, será o palco do 37º Circuito Oceânico Veleiros da Ilha Hantei, um dos eventos mais aguardados no calendário da vela oceânica brasileira. De 5 a 8 de fevereiro, mais de 40 embarcações já confirmaram presença, representando diversas classes e regiões do país. Promovido pelo Veleiros da Ilha, o circuito contará com regatas de percurso e barla-sota, adaptadas às categorias participantes, que incluem ORC, C30, HPE-30, Super Series 30’, BRA-RGS, RGS-Cruzeiro, RGS-Cruiser e Delta 41. A expressiva quantidade de inscritos reforça a credibilidade do evento e a força da modalidade em Santa Catarina, segundo destacou o Comodoro Junior, do Veleiros da Ilha.

    Agenda Social e Entretenimento

    Além da emoção das competições na água, o 37º Circuito Oceânico Veleiros da Ilha Hantei preparou uma completa agenda social. O objetivo é promover a integração entre tripulações, sócios do clube e convidados ao longo de toda a semana. O evento contará com ativações de moda náutica, serviços de massagem para relaxamento dos velejadores e momentos de confraternização após as regatas. A programação musical ao vivo promete animar os participantes, com apresentações que vão do pagode e samba do grupo Swing Maneiro na sexta-feira, ao rock da banda paulista Tom Cats no sábado. O tradicional Churrasco do Comodoro também está confirmado para o sábado.

    Encerramento e Premiação

    O domingo marcará o encerramento do circuito com a cerimônia oficial de premiação, celebrando os vencedores das diferentes categorias. Uma atração surpresa está reservada para fechar o evento com chave de ouro. Para os interessados em participar ou acompanhar mais de perto, o aviso de regata com todos os detalhes já está disponível para consulta no site oficial do Veleiros da Ilha.

    Vela Oceânica em Destaque

    O Circuito Oceânico Veleiros da Ilha se consolida como um marco para a vela oceânica no Brasil. A participação de mais de 40 embarcações de diferentes classes e a organização de um evento que mescla competição de alto nível com uma rica programação social demonstram o crescimento e a vitalidade da modalidade, especialmente em Santa Catarina. O evento não só atrai velejadores experientes, mas também promove o esporte e o turismo náutico na região de Jurerê.

  • Rádio no Barco: Guia Completo da Normam-211 para Navegação Segura

    Rádio no Barco: Guia Completo da Normam-211 para Navegação Segura

    Entenda quais equipamentos de radiocomunicação são obrigatórios e recomendados para cada tipo de embarcação e navegação, garantindo sua segurança no mar.

    Navegar é uma atividade libertadora, mas a segurança deve ser sempre a prioridade. A Normam-211, documento que estabelece as normas da Autoridade Marítima para atividades de esporte e recreio, define regras criteriosas para equipamentos de comunicação a bordo. Embora o rádio VHF não seja obrigatório em todos os casos, especialistas recomendam sua presença, e a norma detalha os tipos de radiocomunicadores necessários, levando em conta o tamanho da embarcação e o tipo de navegação (interior, costeira ou oceânica).

    Obrigatoriedade de Rádio por Tamanho da Embarcação e Tipo de Navegação

    Iates (a partir de 24 metros): Para navegação costeira ou oceânica, iates precisam de um transceptor em HF SSB com DSC. Alternativamente, pode-se optar por telefone satelital (IRIDIUM ou INMARSAT) ou comunicadores via satélite (SPOT X, IRIDIUM GO). Para navegação interior, apenas o rádio VHF é exigido. Embarcações maiores também devem possuir uma fonte de energia reserva para equipamentos de socorro e segurança.

    Embarcações de Médio Porte (6,1 a 24 metros): Em navegação oceânica, é obrigatório o rádio HF SSB com DSC, que também pode ser substituído por comunicadores via satélite. Para navegação costeira, um rádio VHF com DSC é exigido. Na navegação interior, não há obrigatoriedade, mas a Normam-211 recomenda um rádio VHF (fixo ou portátil). Veleiros de médio porte com antena de VHF no mastro devem ter uma antena de emergência.

    Embarcações Miúdas (até 6 metros): A Normam-211 não exige nenhum tipo de radiocomunicador para barcos de pequeno porte, como embarcações auxiliares com até 6 metros de comprimento e motorização de popa de até 50 hp.

    DSC e Frequências Importantes

    O DSC (Digital Selective Calling) é um padrão de rádio marítimo que permite o envio automatizado e digital de chamadas de socorro, segurança ou rotina pelo Canal 70. Com um único botão, ele envia um alerta com a identificação MMSI da embarcação e, se conectado a um GPS, a localização. O rádio VHF marítimo deve operar na frequência de 156,8 MHz (canal 16) para socorro, e o DSC pode usar 156,525 MHz (canal 70). Rádios HF devem atender à frequência Internacional de Socorro (4.125 KHz).

    Potência e Recomendações de Especialistas

    Em termos de potência, rádios HF SSB devem operar a pelo menos 75 milhas da costa. Rádios VHF fixos precisam de um mínimo de 25W, enquanto os portáteis não têm potência mínima definida, mas devem estar sempre com a bateria totalmente carregada. Especialistas como Guilherme Kodja e Marcio Dottori recomendam fortemente a presença de um rádio VHF portátil em qualquer embarcação, mesmo que não seja obrigatório. Eles destacam a eficiência e a utilidade como meio de comunicação auxiliar, especialmente em situações de emergência onde o sinal de celular pode falhar.

    Como Pedir Ajuda pelo Rádio VHF

    Existem três comandos universais para pedir socorro pelo rádio VHF, a serem feitos primeiramente no canal 16 e depois no canal 68:

    • Mayday (May-day): Para risco iminente de naufrágio. Repita o termo três vezes, informe o nome do barco, posição e descreva a emergência (afundando, acidente).
    • Pan (Pã): Para ocorrências médicas urgentes. Repita o termo três vezes, informe o nome do barco, posição e detalhe a condição médica.
    • Security (Securitê): Para indicar perigo à navegação. Repita o termo três vezes, informe o nome do barco, posição e descreva o objeto perigoso.

    Em todos os casos, a comunicação da posição é crucial. Se não for possível usar coordenadas GPS, descreva a localização com base em pontos de referência fixos, como praias ou ilhas próximas.

  • Mercedes-Benz Reinventa Luxo Náutico: Megaiate “Beyond Horizons” Oferece Copropriedade Exclusiva

    Mercedes-Benz Reinventa Luxo Náutico: Megaiate “Beyond Horizons” Oferece Copropriedade Exclusiva

    Esqueça os modelos tradicionais de aluguel ou posse de embarcações de luxo. A Mercedes-Benz, em colaboração com a Maybach Ocean Club, apresenta um projeto inovador para o universo náutico: o megaiate “Beyond Horizons”. Com 154 metros de comprimento, esta embarcação, com previsão de lançamento em 2029, será um clube privado flutuante, operando sob um sistema de copropriedade ultra-exclusivo.

    Um Clube Privado Flutuante para Selecionados

    O “Beyond Horizons” não será um cruzeiro comum nem um iate de charter. A proposta é criar um “condomínio de luxo ultra-exclusivo e flutuante”, acessível apenas a um grupo selecionado de pessoas cujos estilos de vida se alinhem com a proposta do clube. O modelo de associação funcionará através de uma taxa anual, equivalente a aproximadamente 5% do investimento inicial, cobrindo custos de gestão, tripulação, combustível, taxas portuárias, seguro e manutenção.

    Comunidade e Experiências Sob Medida

    O objetivo é formar uma comunidade de 300 coproprietários, cada um com direito a quatro semanas de uso do megaiate por ano, reminiscente de um modelo de multipropriedade. O clube foi projetado para fomentar conexões significativas entre pessoas com interesses semelhantes, oferecendo rituais e experiências cuidadosamente selecionadas. Os membros terão acesso a todas as áreas comuns, suítes privadas, restaurantes, beach club e demais instalações. A associação inclui uma gama de atividades, desde esportes aquáticos e passeios de barco até práticas de ioga e bem-estar. Um diferencial é a parceria com a Splendid Sea, que utiliza tecnologia e atendimento humanizado para garantir flexibilidade e igualdade na gestão do tempo de uso, permitindo que os membros convidem amigos e familiares.

    Um Modelo de Negócio Inovador para Megaiates

    A Maybach Ocean Club destaca que o modelo de negócio foi cuidadosamente pensado para otimizar o uso de um megaiate, que frequentemente fica subutilizado. Ao contrário de iates privados que passam tempo ocioso em portos, ou cruzeiros ultraluxuosos com atividades limitadas, o “Beyond Horizons” visa oferecer uma experiência dinâmica e consistente. O projeto também se diferencia de iates de charter, que podem apresentar desigualdades nas acomodações, e da ideia de uma residência flutuante, que pode carecer de vivacidade. “O Beyond Horizons foi concebido com a missão de traduzir a filosofia da Mercedes-Maybach — qualidade e artesanato sem concessões — em uma verdadeira obra-prima marítima”, explica Michael Hehn, cofundador e diretor-gerente da Maybach.

    Design e Sustentabilidade em Harmonia

    O megaiate apresentará 30 suítes idênticas, cada uma com 74 m² e varanda privativa, garantindo igualdade de experiência para todos os coproprietários. A embarcação contará com uma tripulação de 80 a 85 pessoas, assegurando um serviço de alto padrão. O design interior reflete a filosofia da Mercedes-Benz, combinando artesanato tradicional com tecnologia sofisticada, utilizando materiais e cores inspirados na estética da marca automobilística. Destaque para o beach club com piscinas infinitas e terraços em madeira teca. Em termos de sustentabilidade, o “Beyond Horizons” foi projetado para propulsão a metanol ou biodiesel, visando uma redução significativa nas emissões. Como complemento, um Shadow Vessel de 70 metros acompanhará o megaiate, transportando brinquedos aquáticos, lanchas de apoio e equipe técnica.

    Exclusividade e Lista de Espera

    Devido à natureza exclusiva do projeto, as vagas são limitadas e há uma lista de espera no site da Maybach Ocean. Os potenciais membros passarão por uma análise criteriosa antes de serem aceitos no clube. O “Beyond Horizons” se posiciona não apenas como um megaiate, mas como um refúgio flutuante e um ponto de encontro social para uma comunidade de elite.

  • Tripulação 100% feminina completa volta ao mundo em 57 dias e encerra hiato de 27 anos

    Histórico Preenchido: A Jornada Triunfal da Tripulação Feminina

    Uma cicatriz que persistia há quase três décadas na história da vela foi finalmente fechada. Em um feito notável, a tripulação 100% feminina, liderada por Alexia Barrier a bordo do veleiro IDEC Sport, completou uma volta ao mundo sem escalas em um multicasco. A aventura, que durou 57 dias, 21 horas e 20 minutos, não apenas estabeleceu um novo tempo a ser batido, mas também representou uma reparação histórica para o esporte feminino.

    Um Sonho Reinventado Após 27 Anos de Espera

    Em 1999, o sonho de Tracy Edwards e sua equipe de dez mulheres de completar uma volta ao mundo sem escalas foi tragicamente interrompido quando o mastro de seu veleiro cedeu. Por 27 anos, o vácuo de uma tentativa bem-sucedida permaneceu, até que Alexia Barrier e sua equipe de oito velejadoras de sete nacionalidades distintas reascenderam a chama. A conquista do IDEC Sport, embora não tenha batido o recorde do troféu Júlio Verne — atualmente detido pelo Sodebo Ultim 3 com 40 dias —, solidificou seu lugar na história como a primeira tripulação inteiramente feminina a alcançar tal feito em um multicasco.

    Desafios Superados: Da Maré de Azar à Resiliência Inabalável

    A jornada não foi isenta de percalços. Logo no início, no Atlântico, um defeito no “gancho” que fixa a vela mestra ao mastro forçou a tripulação a realizar ajustes manuais de centenas de quilos de velas a cada mudança de vento, uma tarefa árdua e de alto risco. A situação se agravou no Oceano Pacífico, quando uma rede de pesca gigante se enroscou na quilha, reduzindo drasticamente a velocidade da embarcação e forçando uma perigosa manobra de ré para remoção. Para piorar, a quilha ficou presa, obrigando a equipe a continuar a viagem sem esse componente vital.

    Cabo Horn e a Reta Final: A Prova de Fogo da Tripulação

    A passagem pelo Cabo Horn apresentou ondas de 8 metros e ventos de 50 nós, testando a coragem e a habilidade da tripulação, que já navegava com a vela mestra danificada. A superação deste marco, antes mesmo de completar a volta ao mundo, já era inédita para uma tripulação feminina em multicasco sem escalas. Na reta final, no Atlântico Norte, a vela mestra rasgou-se completamente, exigindo improviso com costuras para continuar a navegação sob ventos fortes. A perda da quilha tornou o piloto automático instável, forçando revezamentos manuais no leme até a linha de chegada. Mesmo a chegada da Tempestade Ingrid foi enfrentada com configurações mínimas de velas e turnos exaustivos. Nada disso, contudo, impediu que essas oito mulheres reescrevessem a história da vela.

  • Família Schurmann: A bordo do veleiro Kat em Fernando de Noronha, conheça o lar sustentável que completou a 4ª volta ao mundo

    O Reencontro em Fernando de Noronha

    Fernando de Noronha se tornou palco de um momento especial: a Família Schurmann, recém-chegada da sua quarta volta ao mundo, recebeu a equipe do Bombarco a bordo do seu lar e instrumento de expedições, o veleiro Kat. A visita, realizada em meio à beleza estonteante do arquipélago, marcou o reencontro da família com a ilha, um local com forte conexão histórica para eles desde a década de 1980. A parada em Noronha foi estratégica, servindo como um merecido descanso após quatro anos contínuos de navegação oceânica.

    Conheça o Veleiro Kat: Um Lar Flutuante e Laboratório Sustentável

    Construído ao longo de dois anos e meio, o Kat não é apenas um veleiro, mas sim uma residência projetada para a vida em alto mar e para a realização de expedições científicas. A bordo, Wilhelm Schurmann, filho do casal Vilfredo e Heloísa, detalhou a impressionante estrutura técnica da embarcação. Heloísa Schurmann, por sua vez, destacou o Kat como um lar e um exemplo vivo de práticas sustentáveis. O veleiro conta com sistemas avançados de filtragem de água e tratamento integral de esgoto, garantindo que todo efluente seja devolvido ao oceano sem poluição. Cada cabine, batizada com o nome de um animal marinho, reforça a identidade do projeto Voz dos Oceanos.

    Inovações em Sustentabilidade e Autonomia

    O Kat impressiona pelas suas soluções inovadoras voltadas para a sustentabilidade e autonomia. Um centro de reciclagem a bordo, equipado com compactadora de resíduos e uma máquina que transforma vidro em areia, minimiza o impacto ambiental durante as longas travessias. A autonomia hídrica é garantida por um dessalinizador capaz de produzir até 200 litros de água por hora, permitindo longos períodos longe da terra firme. A engenharia do barco também se destaca pela quilha retrátil, que permite ajustar o calado de cinco para dois metros, viabilizando o acesso a áreas costeiras rasas que seriam inacessíveis para embarcações de seu porte. Em caso de navegação oceânica, a quilha totalmente baixada, com cerca de 27 toneladas, confere estabilidade excepcional.

    Tecnologia e Projeto de Ponta

    A casa de máquinas do Kat abriga dois motores potentes, sistemas hidráulicos redundantes e circuitos elétricos robustos. A proa é equipada com três âncoras, um guincho hidráulico e um plano vélico de alta performance, com mastro principal de 30 metros e velas de grande área projetadas para otimizar a navegação mesmo em ventos fracos. O projeto estrutural do veleiro leva a assinatura de Horácio Carabelli, com diversas soluções aprimoradas na prática durante as expedições, incluindo navegações desafiadoras até a Antártica.

    O Projeto Voz dos Oceanos: Um Legado de Conscientização

    Em paralelo à apresentação do veleiro, a conversa com Vilfredo e Heloísa Schurmann aprofundou o projeto Voz dos Oceanos. Nascido após a impactante expedição Oriente, quando a família se deparou com uma praia coberta de plástico em uma ilha desabitada nas Filipinas, a iniciativa evoluiu para mapear a poluição plástica, as mudanças climáticas e, principalmente, disseminar soluções locais encontradas ao redor do globo. Durante a quarta volta ao mundo, o Kat registrou os efeitos do aumento do nível do mar e a presença de microplásticos em regiões remotas. Ao encerrar o ciclo de expedições, a Família Schurmann reafirma que o projeto Voz dos Oceanos continua ativo, servindo como uma plataforma essencial para mobilização, educação e articulação de soluções para a saúde dos nossos oceanos.

  • Casal de Velejadores Compartilha Tesouro Brasileiro: Mapa Colaborativo de Pontos de Ancoragem Seguros

    Uma Jornada de Marés e Informação

    Com mais de 45 anos de experiência em vela e uma jornalista que acumula milhas náuticas, Hans e Karina, casados há 32 anos, encontraram no mar um propósito maior. O que começou como uma busca por informações sobre ancoradouros seguros na costa nordeste, em 2009, evoluiu para um legado valioso: uma base de dados colaborativa e gratuita sobre pontos de ancoragem em todo o Brasil.

    Do Sonho à Realidade: Um Projeto Nascido da Necessidade

    A ideia de criar um guia surgiu quando o casal planejava a travessia de São Luís (MA) a Recife (PE) com seu primeiro catamarã. A carência de dados confiáveis fora do circuito náutico tradicional os impulsionou a explorar a costa antes mesmo do barco ficar pronto. Percorrendo praias e vilarejos de carro 4×4 e contando com a ajuda de pescadores locais, Hans e Karina coletaram informações essenciais sobre ancoradouros, canais de acesso e a receptividade das comunidades.

    Um Legado que Ultrapassa Fronteiras

    As anotações e waypoints foram cuidadosamente organizados em arquivos digitais. A convicção de que o Brasil possui vastos e acessíveis tesouros por via marítima ganhou força internacional em 2022, quando o catamarã da família serviu de “embaixada flutuante” na Cidade do Cabo, África do Sul. Durante a Cape2Rio, muitos navegadores estrangeiros buscaram informações sobre o país, destacando a importância do material produzido pelo casal, mesmo que inicialmente em português.

    Colaboração e Gratuidade: O Coração do Projeto

    Motivados pela demanda e pela paixão em compartilhar o que o Brasil tem a oferecer, Hans e Karina decidiram transformar seus anos de pesquisa em um site. Sem experiência prévia em desenvolvimento, eles tocaram o projeto sozinhos, utilizando plataformas de inteligência artificial. Hoje, o site cataloga características de barras e ancoradouros em todo o país, com informações que vão além do levantamento inicial do casal, contando com a colaboração de outros navegadores. O acesso é e sempre será totalmente gratuito, com o casal pedindo em troca apenas a colaboração com novas informações e a divulgação da plataforma.

    Um Guia em Constante Construção

    O projeto já recebeu contribuições de diversas cidades brasileiras e todo o conteúdo passa por um rigoroso processo de conferência antes de ser publicado. Além da geolocalização, nome e contato dos responsáveis pelos atracadouros, o casal planeja expandir o acervo com mapas antigos, mais fotos e uma lista de referências, como guias, livros e vídeos. É um trabalho contínuo para que mais entusiastas do universo náutico possam explorar o Brasil com segurança e conhecimento.

  • Glitter do Carnaval Persiste na Areia do Rio de Janeiro: Estudo Revela Microplásticos 8 Meses Após a Folia

    Contaminação Duradoura na Praia do Flamengo

    Oito meses após a celebração do Carnaval, resquícios de microplásticos provenientes do glitter ainda podem ser encontrados na areia da Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro. Um estudo recente da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), publicado em dezembro de 2025, revelou uma quantidade significativa desses microplásticos, evidenciando os danos ambientais de longo prazo causados pela folia.

    A escolha da Praia do Flamengo para a análise não foi aleatória. Sendo um importante cartão-postal da Baía de Guanabara e palco de grandes blocos de Carnaval, a praia é um ponto estratégico para entender o impacto da festa no ecossistema local. A pesquisa demonstrou que a grandiosidade do evento carnavalesco intensifica a produção de lixo e a contaminação por microplásticos, um problema que se estende para antes, durante e depois da celebração.

    Análise Detalhada do Lixo Microscópico

    As amostras coletadas na areia da Praia do Flamengo revelaram a composição do lixo microscópico: 66,3% eram fragmentos plásticos, categoria que inclui o glitter; 26,2% eram fibras, consideradas as mais perigosas para a saúde dos seres vivos; e 7,5% eram grânulos, microplásticos primários usados como matéria-prima.

    O estudo dividiu a análise em quatro fases de coleta, antes, durante e após o Carnaval. Embora a maior concentração de microplásticos tenha sido registrada logo após a festa, o dado mais alarmante é que, oito meses depois, a quantidade de microplásticos na areia era superior ao período pré-Carnaval. As praias arenosas, nesse contexto, funcionam como “sumidouros naturais” de lixo marinho, agravando o problema da contaminação.

    Microplásticos: Uma Ameaça Global e à Cadeia Alimentar

    A poluição por microplásticos não se restringe à Praia do Flamengo ou ao Rio de Janeiro, representando uma ameaça global. Essas partículas, compostas por plásticos misturados a aditivos químicos, persistem no ambiente e têm a capacidade de absorver outros poluentes, como metais pesados. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) já havia alertado sobre a presença dessas partículas em todas as profundezas do oceano.

    Evidências biológicas indicam que os microplásticos são ingeridos por organismos em diversos níveis da cadeia alimentar, desde o plâncton até os peixes. Isso pode causar problemas digestivos, redução de crescimento, estresse e inflamação. Além disso, ao interferir no fitoplâncton e no zooplâncton, organismos essenciais para a absorção de CO₂, os microplásticos impactam o sequestro de carbono, contribuindo para o aquecimento global.

    Busca por Soluções e Mudanças Necessárias

    Em busca de soluções, alguns países já implementam medidas restritivas. Na União Europeia, há um acordo para proibir a venda de glitter plástico solto e produtos que o contenham intencionalmente. Na Califórnia (EUA), discute-se a proibição de microesferas em produtos de higiene pessoal.

    No Brasil, o Projeto de Lei (PL) nº 347 de 2020 propõe a proibição da fabricação e venda de glitter a partir de microplástico, mas o texto segue sem movimentação relevante na Câmara dos Deputados. Tatiana Medeiros Barbosa Cabrini, coautora do estudo da UNIRIO, destaca a necessidade de “maturidade do debate entre gestores e população, pressão social e institucional” e o desenvolvimento de alternativas biodegradáveis acessíveis. A mudança de hábito dos cidadãos e a melhoria na gestão de resíduos são passos fundamentais para mitigar esse problema ambiental persistente.

  • Projeto “Velejando para o Futuro” Expande de Niterói para Brasília em Fevereiro, Oferecendo Vela e Transformação Social Gratuita

    Expansão para a Capital Federal

    O projeto social “Velejando para o Futuro”, que já se consolidou como um agente de transformação na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, inicia 2026 com planos ambiciosos de expansão. Em fevereiro, o programa desembarca em Brasília, levando sua metodologia inovadora para o Lago Paranoá. O objetivo é replicar o sucesso obtido no Rio, utilizando a vela como ferramenta para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.

    O Que é o “Velejando para o Futuro”?

    Idealizado pela Confederação Brasileira de Vela (CBVela), o “Velejando para o Futuro” oferece a jovens de 6 a 18 anos uma imersão gratuita na prática da vela. Mais do que apenas ensinar a velejar, o projeto foca em ações multidisciplinares que promovem a saúde física, mental e emocional, além de atividades educativas, pedagógicas e socioambientais. A iniciativa busca proporcionar um ambiente seguro e estimulante, onde os participantes possam desenvolver novas habilidades e perspectivas de vida.

    Inclusão e Acessibilidade no Lago Paranoá

    A chegada do projeto a Brasília é vista como um marco importante, especialmente pela coordenadora pedagógica, Adryana Freire. “Estar em Brasília é muito significativo, emblemático. Existem muitas crianças em situação de vulnerabilidade nas cidades-satélites”, destacou Freire. O projeto se destaca por sua abordagem inclusiva, atendendo também crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Através de práticas esportivas adaptadas e acompanhamento profissional contínuo, o “Velejando para o Futuro” respeita as singularidades de cada participante, promovendo seu desenvolvimento integral.

    Impacto e Expectativas para Brasília

    Os jovens que participam do “Velejando para o Futuro” têm acesso a uma estrutura completa, que inclui acompanhamento pedagógico especializado, orientação técnica esportiva e apoio psicológico. A intenção é fortalecer vínculos, estimular a autonomia, a autoestima e incutir valores como cooperação, responsabilidade e disciplina. “Queremos proporcionar para as crianças esse contato com o esporte, com a natureza, e principalmente promover os valores da vela”, ressaltou Freire. A edição em Brasília será sediada inicialmente no Clube Cota Mil e, posteriormente, no Iate Clube de Brasília. A expectativa é beneficiar mais de 150 crianças e jovens da capital federal já no primeiro semestre de 2026. Os interessados devem preencher o formulário de inscrição disponível online.